Módulo 1 - Introdução a Saúde Digital

Este módulo tem carga horária de 30 horas e é destinado aos profissionais da área da saúde que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive gestores do SUS e profissionais da área de Tecnologia da Informação (TI), incluindo, ainda, profissionais de nível superior que tenham interesse na área de Saúde Digital.

Elaborado pela Prof.ª Dr.ª Francenilde Silva de Sousa, este módulo é a porta de entrada para o universo de conhecimento e inovação. Ele apresenta as definições fundamentais da Saúde Digital, enfatizando que esse campo vai além da tecnologia ao valorizar aspectos humanos, sociais e culturais, fortalecendo o protagonismo do usuário no cuidado. O módulo também aborda as principais Tecnologias Digitais da Informação e Conectividade (TDICs) aplicadas na saúde e revisita os marcos legais e regulatórios da Saúde Digital no SUS, destacando a criação da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) no Ministério da Saúde como um marco de governança essencial para direcionar as estratégias de Saúde Digital na saúde pública brasileira.

Orientações sobre o módulo

Olá, prezado(a) estudante!

Seja bem-vindo(a) ao Módulo 1 “Introdução à Saúde Digital” do Curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS).

Este módulo tem carga horária de 30 horas e é destinado aos profissionais da área da saúde que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive gestores do SUS e profissionais da área de Tecnologia da Informação (TI), incluindo, ainda, profissionais de nível superior que tenham interesse na área de Saúde Digital.

Elaborado pela Prof.ª Dr.ª Francenilde Silva de Sousa, este módulo é a porta de entrada para o universo de conhecimento e inovação. Ele apresenta as definições fundamentais da Saúde Digital, enfatizando que esse campo vai além da tecnologia ao valorizar aspectos humanos, sociais e culturais, fortalecendo o protagonismo do usuário no cuidado. O módulo também aborda as principais Tecnologias Digitais da Informação e Conectividade (TDICs) aplicadas na saúde e revisita os marcos legais e regulatórios da Saúde Digital no SUS, destacando a criação da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) no Ministério da Saúde como um marco de governança essencial para direcionar as estratégias de Saúde Digital na saúde pública brasileira.

Ao final dos seus estudos, você irá compreender as definições e os conceitos fundamentais da Saúde Digital, explorar a legislação e a regulação aplicáveis a essa área e analisar a trajetória da Saúde Digital no Brasil, considerando os avanços, os desafios e as perspectivas futuras para a implementação de soluções digitais no sistema de saúde nacional.

Para apoiar sua trajetória, desenvolvemos um pequeno guia com todas as informações essenciais sobre o módulo para que você organize a sua rotina. Afinal, este módulo é autoinstrucional. Isso significa que você tem autonomia para organizar seu ritmo de estudos a partir do percurso formativo sugerido, interagindo diretamente com os conteúdos e atividades propostas.

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Introdução à Saúde Digital: percurso formativo do(a) estudante

 

Faça o download do PDF para conhecer o percurso formativo sugerido para este módulo, incluindo os recursos educacionais disponíveis, as atividades propostas e os critérios de aprovação, a fim de auxiliar no planejamento dos seus estudos.

 

Módulo 1 Introdução à Saúde Digital.pdf

Aula 01 - Iniciando a jornada pela Saúde Digital

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A Saúde Digital tem sido bastante discutida entre vocês, profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), e isso é uma das consequências dos avanços das Tecnologias Digitais de Informação e Conectividade (TDICs) no sistema público de saúde brasileiro. Você provavelmente deve ter ouvido ou lido algo sobre, mas já parou para refletir o que é e como a Saúde Digital pode ser aplicada no SUS?

Embora possua um conceito bastante abrangente, que permanece sendo ressignificado à medida que novas tecnologias e compreensões são desenvolvidas e incorporadas, o objetivo dela sempre será o de utilizar tecnologias digitais para proporcionar melhorias na saúde dos indivíduos. Dessa forma, também é interessante conhecer a história e as normativas envolvidas nesta área, bem como refletir sobre seus avanços e dificuldades, não acha?

No podcast "Iniciando a jornada pela Saúde Digital", você terá acesso a uma introdução à Saúde Digital. Ao longo do episódio, vamos dialogar sobre:

  1. Fundamentos da Saúde Digital e sua trajetória no Brasil, compreendendo os marcos legais e institucionais que estruturam essa transformação;
  2. Utilização das tecnologias digitais nos diferentes níveis de atenção à saúde, por meio de experiências e exemplos práticos;
  3. Principais desafios enfrentados na implementação da Saúde Digital, como a infraestrutura, a formação dos profissionais, a interoperabilidade entre sistemas e a segurança dos dados;
  4. Perspectivas futuras e as tendências que prometem impulsionar ainda mais a inovação no SUS, sempre com foco na equidade, na acessibilidade e na participação social.

O objetivo é ampliar sua compreensão sobre o papel estratégico da Saúde Digital e inspirar sua atuação como profissional engajado na construção de um sistema de saúde mais eficiente, inclusivo e centrado no cuidado humano.

No podcast abaixo, a Prof.ª Dr.ª Francenilde Silva de Sousa apresenta um panorama introdutório sobre a Saúde Digital no SUS, destacando os principais eixos temáticos que serão aprofundados ao longo da formação.



Transcrição do Áudio

[Vinheta de abertura]

[Mediadora]: Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda. Está começando o nosso Podcast “Iniciando a Jornada pela Saúde Digital”, uma produção do curso de Especialização em Saúde Digital no SUS. Neste encontro, vamos conversar sobre os fundamentos da Saúde Digital e o porquê ela se tornou tão essencial para os profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde. Eu sou Camila Cantanhede e para esta conversa recebemos a professora Francenilde Silva de Sousa, autora do módulo Introdução à Saúde Digital e pesquisadora em Saúde Coletiva. Seja muito bem-vinda, professora.

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Muito obrigada, Camila. Eu que agradeço o convite, esse momento de discussão sobre a Saúde Digital.

[Mediadora]: Professora, o termo Saúde Digital está cada vez mais presente nas políticas públicas e nas discussões sobre o SUS. Mas, afinal, o que é exatamente a Saúde Digital?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Bom, Camila, esse termo possui diversas conceituações, diversas definições. Mas para nos ater a uma resposta mais direta, nós podemos considerar a conceituação apresentada tanto pelo Ministério da Saúde como pela Organização Mundial da Saúde, que converge o conceito para o uso de tecnologias digitais com o intuito, com o objetivo de melhorar a saúde. Apresentando como muito além do uso de soluções tecnológicas, mas sim apresentar uma nova relação entre o usuário e os serviços, considerando, inclusive, a possibilidade de aplicar a metapresencialidade, que seria o uso de tecnologias digitais. Então, o cuidado, ele é ofertado fisicamente à distância, porém, ele está muito próximo devido à consideração de aspectos, de dimensões cognitivas, sociais, culturais e afetivas entre o usuário e o profissional.

[Mediadora]: E quando começamos a falar em Saúde Digital no contexto do SUS?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Embora tenha ocorrido uma disseminação massiva a partir da pandemia de covid-19, em 2020, podemos considerar como o marco regulatório e legal da Saúde Digital dentro do Sistema Único de Saúde, a partir da Política Nacional de Informação e Informática, que foi institucionalizada a partir da Portaria n.º 589, de 2015. Inclusive, houve uma atualização em 2021. E essa Portaria apresenta um conjunto de diretrizes e princípios do uso de tecnologias digitais dentro do Sistema Único de Saúde. Outros marcos relevantes da Saúde Digital dentro do SUS podem ser também considerados, como, por exemplo, a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, que estabeleceu direitos e deveres do uso de dados pessoais, inclusive em ambientes digitais. A Rede Nacional de Dados em Saúde, a RNDS, que busca, de certo modo, conseguir com que os diversos sistemas tenham um diálogo entre si, com uma base interoperável e que tenha um padrão, inclusive, entra aí a questão das tecnologias em saúde e tudo mais. Um outro ponto também extremamente relevante é a criação da SEIDIGI, que é a Secretaria Digital de Informação e Saúde Digital, que é uma governança dentro do Ministério da Saúde que fica à frente da Saúde Digital no Sistema Único de Saúde.

[Mediadora]: Agora, passando da teoria para a prática, como essas tecnologias digitais estão sendo utilizadas hoje na rotina do SUS?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Bom, Camila, é possível pensarmos em diversas situações na realidade do Sistema Único de Saúde. Os profissionais, inclusive, já aplicam e fazem a prática da Saúde Digital desde muito tempo, por exemplo, com o uso de sistemas de informação e saúde. O SIAPS, por exemplo, o Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde. Ao utilizá-lo, nós estamos colocando em prática a Saúde Digital. Um outro exemplo é o uso de tablets, que é um recurso tecnológico físico durante as visitas domiciliares, outra ação também realizada na APS. Um outro exemplo, a nível terciário da assistência à saúde, é o uso de sistemas que fazem análise de estoques de setores. Por exemplo, o uso de algum sistema que faz todo o gerenciamento de um estoque da farmácia, de um hospital ou de uma maternidade. Então, a gente consegue perceber que a Saúde Digital tem sido utilizada por inúmeros profissionais em diversos níveis de assistência à saúde. Ainda podemos citar o uso de painéis interativos, que permitem a gestão à vista. Então, a gente consegue perceber que a Saúde Digital pode ser e é aplicada por diversos profissionais, os que estão na assistência, os que possuem algum cargo de gestão e também pelos profissionais da Tecnologia da Informação.

[Mediadora]: Mesmo com tantos avanços, sabemos que os desafios são muitos. Quais os principais obstáculos para consolidar a Saúde Digital de forma efetiva e equitativa?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Verdade, Camila. Infelizmente, ainda existem alguns desafios que precisam ser superados. Dentre eles, nós podemos citar as dificuldades com infraestrutura e conectividade, em especial em áreas remotas. Um outro desafio está relacionado à formação e ao desenvolvimento de competências e habilidades dos profissionais que atuam no Sistema Único de saúde. Também podemos relembrar que, embora existam muitas ações para sanar esse desafio, ainda existe uma dificuldade com a interoperabilidade e padronização dos sistemas. E, por fim, ainda podemos citar a segurança da informação e a proteção dos dados sensíveis. Mas é relevante citar que o Ministério da Saúde tem implementado diversas ações, principalmente após o Programa Saúde Digital, que buscou implementar os planos de ação que foram realizados a partir da realidade notada pelos próprios gestores locais, com o intuito de atingir, de idealizar, colocar em prática, inclusive financiar ações que sejam realistas, que sejam viáveis de serem colocadas em prática.

[Mediadora]: Professora, e como os profissionais de saúde podem se preparar para esse novo cenário digital? O que o curso espera desenvolver nesse sentido?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Com esse movimento, é esperado, Camila, que haja um maior protagonismo do usuário do Sistema Único de Saúde. Fazer com que ele tenha mais autonomia, autocuidado, tenha acesso às suas informações e de qualidade. Também é esperado que haja ampliação da equidade digital, incluindo grupos vulnerabilizados. Também é esperada a expansão das tecnologias emergentes, como, por exemplo, da inteligência artificial, da realidade virtual, da realidade aumentada. Um outro ponto que é esperado é a inovação de forma colaborativa, fazer com que haja a disseminação de testes-pilotos, de códigos abertos, para que haja essa conversa e diálogo à distância, mas mediados pelas tecnologias. Também é esperado que haja educação permanente e discussão dentro da academia.

[Mediadora]: Professora, que mensagem final você deixaria para os profissionais que estão iniciando essa jornada pelo universo da Saúde Digital?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Como mensagem final, eu gostaria de fazer um convite a todos para que se engajem na transformação digital, valorizando o papel de cada profissional como um sujeito ativo nesse processo. E, por fim, que vejam a Saúde Digital como uma ferramenta de qualificação do cuidado, que inclusive está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e também aos princípios do Sistema Único de Saúde.

[Mediadora]: E para você que nos acompanha, fica o convite: Vamos juntos nessa jornada de aprendizado e transformação! A Saúde Digital é para todos e está em constante construção. Explore os conteúdos, reflita sobre sua prática e pense em como pode contribuir com um SUS mais conectado, inclusivo e resolutivo. Até o próximo encontro!

[Vinheta de encerramento]


REFERÊNCIA

SOUSA, Francenilde Silva de. Iniciando a jornada pela Saúde Digital. São Luís, MA: UFMA; SEIDIGI/MS, 2025. 03p. Material digital elaborado para o curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem SIAII/SEIDIGI.

©2025. Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde & Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.


Aula 02 - Saúde Digital no SUS: conceitos, tecnologias e transformação na atenção à saúde

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O avanço das tecnologias digitais tem transformado significativamente a forma como a saúde é concebida, ofertada e gerida em diferentes contextos. No Sistema Único de Saúde (SUS), essa transformação se materializa por meio da Saúde Digital — um conceito que vai além da simples adoção de tecnologias, envolvendo práticas, valores e modos de pensar o cuidado em saúde.

Neste recurso educacional, convidamos você a compreender melhor o que é a Saúde Digital, quais são seus pilares, as tecnologias envolvidas e as implicações dessa transformação para os profissionais e usuários do SUS.

Durante o percurso formativo, abordaremos o conceito de Saúde Digital a partir das definições da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde, destacando sua amplitude e complexidade. Também discutiremos os diferentes termos correlatos, como Informática em Saúde, Saúde Móvel, e-Saúde e Telessaúde, mostrando como todos eles se articulam dentro do escopo da Saúde Digital.

Além disso, exploraremos o papel das Tecnologias Digitais de Informação e Conectividade (TDICs) e a importância da conectividade para a construção de vínculos e a presença no cuidado e a contextualização histórica e normativa da Saúde Digital no SUS, incluindo os principais marcos legais e regulatórios que sustentam essa área, como leis, portarias, resoluções e normas técnicas.

Também será apresentada a atuação estratégica da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e de seus departamentos, bem como tecnologias como inteligência artificial, big data, interoperabilidade, plataformas de aprendizagem e o uso da robótica e impressão 3D. Este material, portanto, é um convite à reflexão crítica e ao engajamento com as inovações que moldam o futuro da saúde pública no Brasil.

A partir desse material, você será capaz de entender o conceito de Saúde Digital e a sua aplicação no contexto do SUS, bem como as principais Tecnologias Digitais de Informação e Conectividade (TDICs), além de identificar as principais legislações, normas regulamentadoras e instituições que apoiam a Saúde Digital no SUS.


O que é a Saúde Digital?

O conceito de Saúde Digital tem ganhado espaço nas discussões sobre os rumos da saúde pública. Nas imagens abaixo, conheça os conceitos de Saúde Digital preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde:

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OMS

Fonte: Yann Forget. Wikimedia Commons.

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Ministério da Saúde

Fonte: Brasil. Gov.br.

 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Saúde Digital é “o campo de conhecimento e prática associado ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias digitais para melhorar a saúde”1.

 

Já para o Ministério da Saúde, ela é um ”[...] conjunto de saberes, técnicas, práticas, atitudes, modos de pensar e valores relacionados ao uso de tecnologias digitais em saúde e ao crescimento do espaço digital”2.

 

Historicamente, outros termos têm sido utilizados para descrever aspectos da incorporação tecnológica em saúde e até costumam ser confundidos com o que é a Saúde Digital. Como exemplo de tais termos, temos: Informática em Saúde; Saúde Móvel (mHealth); Saúde Eletrônica ou e-Saúde (eHealth); e a Telessaúde. Vamos entender melhor sobre cada um desses termos?



 

Informática em Saúde

 

É uma área interdisciplinar que estuda e aplica as ciências da computação, informática e saúde, com foco no desenvolvimento técnico e sistemas, estruturas e padrões de dados3.

 

 

Saúde Móvel (mHealth)

 

Especifica o uso de dispositivos móveis (smartphonestabletsnotebooks e outros) para apoiar ações de saúde4.

 

 

Saúde Eletrônica ou e-Saúde (eHealth)

 

Diz respeito ao uso de tecnologias digitais para suporte a cuidados de saúde, com foco na informatização dos processos de trabalho2.

 

 

Telessaúde

 

É a oferta de serviços de assistência, apoio diagnóstico, educação permanente, promoção e prevenção em saúde por meio de tecnologias digitais5.

 

Todos esses termos fazem parte de uma dimensão da Saúde Digital, que implica uma evolução com abordagem mais integrada, interativa e centrada no usuário, buscando consolidar um novo paradigma no cuidado. Isso leva a novas formas de relação entre usuários e serviços, inclusive com a proposta da metapresencialidade, que idealiza o cuidado mediado por tecnologias para além de uma teleassistência, incorporando dimensões cognitivas, afetivas e sociais da interação em saúde. 

FIQUE ATENTO

A Saúde Digital não deve ser considerada apenas como soluções tecnológicas, mas sim como um fenômeno capaz de redefinir a centralidade do usuário no sistema público de saúde, possibilitando que ele seja o protagonista de sua trajetória de cuidado e considerando as relações humanas, sociais e culturais.

Assim, fica compreensível que a transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou a partir do uso estratégico das tecnologias digitais para impulsionar o desenvolvimento da saúde de forma sustentável e inclusiva, promovendo a inovação e o aumento da produtividade por meio da digitalização dos processos produtivos e da qualificação para atuar no ambiente digital.

Tal transformação exige alterações em5:

  • Conceitos;

  • Competências profissionais;

  • Mudanças organizacionais;

  • Marcos regulatórios;

  • Garantia de segurança, equidade e qualidade no cuidado.


Dessa forma, ambos os conceitos de Saúde Digital propõem que ela possa ser compreendida como uma área que associa a aplicação de tecnologias digitais para proporcionar melhorias na saúde dos indivíduos e das coletividades. Percebe como é um conceito amplo? E, já que aborda as tecnologias digitais, você sabe o que elas são?

TDICs

Essas tecnologias são conhecidas como Tecnologias Digitais da Informação e Conectividade (TDICs), que têm sido integradas ao sistema público brasileiro e contribuído bastante com a qualidade dos serviços de saúde2.

As TDICs englobam recursos tecnológicos, físicos ou não, que permitem acessar, produzir, armazenar, compartilhar e comunicar informações.

FIQUE ATENTO

Na sigla TDICs, a substituição do termo mais frequente “comunicação” por “conectividade” foi preferida para dar ênfase nas formas complexas de presença, interação e vínculos que afetam o cuidado em saúde2. Inclusive, existe discussão e expansão do uso do termo Tecnologias de Informação e Conectividade (TICs) na saúde. Isso porque há a compreensão de que a comunicação humana vai além da operacionalização de sistemas e redes interligadas, envolve os aspectos relacionais, culturais e sociais da presença dos indivíduos nos processos de cuidado.

A transformação digital no SUS representa a busca por uma mudança nos modelos de assistência à saúde, deslocando o foco de estruturas hierarquizadas e centradas no serviço para ações mais descentralizadas, contínuas e conectadas.

Soluções digitais

 

Nesse novo cenário, as soluções digitais são propostas potencializadas para: a ampliação do acesso a serviços de saúde; a integração dos pontos de atenção à saúde; o protagonismo do usuário em sua trajetória de cuidado; e a qualificação nas tomadas de decisões embasadas por evidências e que utilizem dados em tempo real.

Fotografia de um profissional da saúde utilizando um tablet, sobreposta por elementos gráficos referentes à área da saúde.

Fonte: Adaptado de Tima Miroshnichenko. Pexels.


A incorporação das tecnologias digitais no SUS, portanto, não é apenas uma modernização técnica, mas uma oportunidade de reorganizar práticas, relações e sentidos do cuidado em saúde coletiva no Brasil.

PARA REFLEXÃO

Diante disso, você consegue perceber a importância das TDICs na área da saúde? Essas tecnologias possibilitam a melhoria da qualidade da atenção à saúde, eficiência no uso de recursos, ampliação do acesso aos serviços, integração de sistemas e empoderamento dos usuários. 

Clique nos itens da lista abaixo e veja exemplos de algumas tecnologias digitais utilizadas no SUS.

Sistemas de Informação em Saúde
Conjuntos de componentes que coletam, processam, armazenam e transmitem dados de saúde. Para gestores, além de utilizarem como ferramenta de Monitoramento & Avaliação em saúde, utilizam ainda como uma maneira de prestação de contas, uma vez que recursos financeiros federais são calculados a partir dos registros de Sistemas de Informação7.

Telessaúde
É o uso de recursos tecnológicos para atendimentos remotos, como consultas virtuais, acompanhamento de usuários à distância, disponibilização de serviços de saúde sem necessidade de deslocamento. Profissionais da saúde de áreas de difícil acesso podem fazer uso de modo a promover acesso aos usuários, reduzindo desigualdades sociais. A Telessaúde abrange teleconsultorias, teletriagem, telerregulação, telediagnóstico, teleinterconsulta, teleducação, teleorientação e telemonitoramento de diversas subáreas, a exemplo da telemedicina, telenfermagem, telefarmácia, teleodontologia e outras8.

Registros Eletrônicos em Saúde (RES), do inglês Electronic Health Record (EHR)
Possibilitam a integração de diferentes níveis de atenção à saúde por meio do armazenamento digital de informações de saúde, a exemplo do Prontuário Eletrônico. Nesses registros são incluídos histórico médico, resultados de exames, prescrições de medicamentos, diagnósticos, procedimentos realizados e afins. Os RES possibilitam que profissionais da saúde tenham histórico completo dos usuários9.

Robótica médica
É o uso de robôs na realização de determinados procedimentos médicos. No SUS, há exemplos do seu uso em cirurgias, para suporte funcional em reabilitação com próteses robóticas e para suporte remoto em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)10,11,12.

Impressão 3D na saúde
É a fabricação de dispositivos médicos que possibilitam a personalização à anatomia dos usuários, a exemplo de próteses, órteses e implantes, de modo a integrar inovação e assistência à saúde na reabilitação de usuários. Isso possibilita maior conforto, eficiência, rastreabilidade e segurança ao usuário13.

Interoperabilidade em saúde
É o conjunto de especificidades técnicas que possibilitem o compartilhamento seguro e padronizado de dados de saúde entre as diferentes esferas (federal, estadual e municipal) e os diversos níveis de saúde (primária, secundária e terciária). Os profissionais de TI devem fazer uso de informações e padrões em Saúde Digital para a viabilização da interoperabilidade14.

Big data
Conjunto de dados massivos que podem ser coletados, armazenados e analisados, visando garantir um ecossistema de inovação que aproveite ao máximo o ambiente de interconectividade em saúde. Podem gerar uma variedade de informações, possibilitando análises e percepções relevantes para os gestores e profissionais de saúde em seus respectivos contextos de atuação15.

Inteligência Artificial (IA)
É a utilização de algoritmos e sistemas avançados capazes de processar grandes volumes de dados. Utiliza-se o processamento de linguagem natural, técnica que permite um dispositivo eletroeletrônico compreender, interpretar e responder à linguagem humana de forma semelhante a quando é estabelecida uma comunicação e interpretação da linguagem humana. Profissionais da saúde podem otimizar seus atendimentos a partir do apoio da IA em diagnósticos por imagem e chatbots para triagem, Aprendizado de Máquina (do inglês Machine Learning) que realize predições por meio da identificação de padrões. Gestores podem utilizar painéis analíticos gerados por IA para monitoramento de indicadores, enquanto os profissionais de TI podem utilizá-la para mineração de dados e automatização de funções repetitivas16,17.

Internet das Coisas, do inglês Internet of Things (IoT)
É a integração de dispositivos conectados à rede de internet e a sistemas e um banco de dados em nuvem que permite coletar, armazenar e transmitir dados em tempo real. As tecnologias vestíveis estão incluídas neste termo. Marcapassos, pulseiras ou relógios que monitoram batimentos cardíacos, qualidade do sono e/ou pressão arterial, sensores em refrigeradores de armazenamento e/ou de transporte são alguns exemplos18.

Plataformas de aprendizagem, do inglês learning platforms
São ambientes digitais que intermedeiam o ensino e a educação permanente e continuada de profissionais de saúde por meio de recursos educacionais on-line, a exemplo de videoaulas, podcasts, webinários e outros19,20. O Ministério da Saúde possui diversas plataformas que contribuem para o processo de compartilhamento de saberes aos profissionais do SUS, a exemplo do Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (AVASUS); a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS); e o Campus Virtual de Saúde Pública, disponibilizado pela Organização Pan-Americana da Saúde, vinculada à Organização Mundial de Saúde (CVSP/OPAS).

Plataformas de código aberto, do inglês open-code platforms
São sistemas cujos códigos-fontes estão disponíveis para uso e compartilhamento ao público. Esses códigos-fontes são comandos feitos por humanos que permitem uma máquina traduzir o que, como e em que ordem fazer o que for solicitado. Desse modo, profissionais de TI podem fazer uso dessa tecnologia adaptável e transparente, ajustando funcionalidades conforme necessidades locais21. O Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde (e-SUS APS) e o Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU) são exemplos de softwares livres e de código aberto cujos manuais estão disponíveis de fácil acesso a quem for necessário.


PARA REFLEXÃO

Você consegue perceber como a Saúde Digital possui um conceito abrangente? Ela engloba as tecnologias apresentadas, contudo, o conceito atual pode ser ressignificado à medida que novas tecnologias e compreensões das relações humanas são consolidadas, em busca de uma compreensão mais profunda que envolva o conjunto de saberes, técnicas e práticas que ultrapassem abordagens físicas, estruturais, operacionais e técnicas, orientando uma rearticulação política de ecossistemas de saúde e transversalidades6,22

Para além dessa aproximação com o conceito atual, que tal nos aproximarmos da trajetória da Saúde Digital no SUS?


Trajetória da Saúde Digital no SUS

A trajetória da Saúde Digital no SUS representa uma transformação na forma como os serviços de saúde são organizados, ofertados e acessados no Brasil. Foi iniciada desde a promulgação da Lei Orgânica de Saúde (Lei n.º 8080/1990), que já reconhecia a relevância do desenvolvimento científico e tecnológico na saúde pública.

A partir dela, outras normativas estabelecem bases legais e regulamentadoras para a consolidação da área no SUS.

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Lei n.º 13.989, de 15 de abril de 2020

Dispõe sobre o uso da Telemedicina durante a crise causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2).

 

Fonte: Polina Tankilevitch. Pexels.

Decreto de 29 de novembro de 2017

Dispõe sobre o Conjunto Mínimo de Dados (CMD) da Atenção à Saúde.

 

Fonte: Anna Shvets. Pexels.

Conjunto Mínimo de Dados (CMD)

Integra o Sistema Nacional de Informações em Saúde (SNIS), conforme o Art. 47 da Lei n.º 8.080/1990, que consiste no formulário padronizado para coleta dos dados.

 

Fonte: Tessy Agbonome. Pexels.



Diversas portarias tratam de temas essenciais na regulamentação da Saúde Digital. Conheça algumas das principais abaixo:

Portaria n.º 2.983 de 11 de novembro de 2019

Altera a Portaria de Consolidação n.º 5/GM/MS de 28 de setembro de 2017 e institui o Programa de Apoio à Informatização e Qualificação dos Dados da Atenção Primária à Saúde – Informatiza APS.

Portaria n.º 1.434 de 28 de maio de 2020

Regulamenta o uso de padrões de interoperabilidade e informação em saúde para Sistemas de Informações em Saúde no âmbito do SUS, nos níveis municipal, estadual e federal, e para os sistemas privados do setor de saúde suplementar.

Portaria n.º 1.792 de 17 de julho de 2020

Altera a Portaria n.º 356/GM/MS, de 11 de março de 2020, para dispor sobre a obrigatoriedade de notificação ao Ministério da Saúde de todos os resultados de testes diagnósticos para SARS-CoV-2 realizados por laboratórios das redes pública, privada, universitários ou quaisquer outros, em todo o território nacional.

Portaria n.º 1.068 de 17 de novembro de 2020

Institui o Modelo de Informação de Resultado de Exame Laboratorial covid-19.

Portaria n.º 535 de 25 de março de 2021

Institui o Comitê Gestor de Saúde Digital (CGSD).

Portaria n.º 69 de 14 de janeiro de 2021

Institui a obrigatoriedade de registro de aplicação de vacinas contra a covid-19 nos sistemas de informação do Ministério da Saúde.

Portaria n.º 1.046 de 24 de maio de 2021

Estabelece as regras para integração dos resultados de exames realizados para a detecção da covid-19 por laboratórios das redes pública, privada, universitários, entre outros, no teste nacional na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Portaria n.º 1.474 de 30 de junho de 2021

Homologa a adesão das equipes de Saúde da Família e equipes de Atenção Primária informatizadas ao Programa de Apoio à Informatização e Qualificação dos Dados da Atenção Primária à Saúde – Informatiza APS.

Portaria n.º 1.768 de 30 de julho de 2021

Altera o Anexo XLII da Portaria de Consolidação GM/MS n.º 2, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS).

Portaria n.º 2.236 de 2 de setembro de 2021

Altera a Seção I do Capítulo III do Título VII da Portaria de Consolidação GM/MS n.º 1, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre o Cadastro Nacional de Usuários do SUS e para estabelecer o uso do número de Inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) como forma preferencial de identificação de pessoas na saúde para fins de registros de informações em saúde e instituir o sistema CONECTE SUS CIDADÃO.

Portaria n.º 50 de 9 de fevereiro de 2022

Institui o Modelo de Informação do Registro de Prescrição de Medicamentos (RPM) e do Registro de Dispensa de Medicamentos (RDM).

Portaria n.º 1.164 de 24 de maio de 2022

Altera a Portaria de Consolidação GM/MS n.º 4, de 28/09/2017, para dispor sobre a obrigatoriedade de notificação ao Ministério da Saúde de todos os resultados de testes diagnósticos para detecção da covid-19 realizados por laboratórios das redes pública, privada, universitários e quaisquer outros, em todo o território nacional.

Portaria n.º 1.348 de 02 de junho de 2022

Dispõe sobre as ações e os serviços de Telessaúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Portaria n.º 1.355 de 03 de junho de 2022

Institui o projeto Unidade Básica de Saúde Digital (UBS Digital) no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

Portaria n.º 241 de 18 de julho de 2022

Dispõe sobre os Procedimentos na Tabela de Medicamentos, Medicamentos Opostos, Próteses e Materiais Especiais do SUS.

Portaria n.º 234 de 18 de julho de 2022

Institui o Modelo de Informação Registro de Atendimento Clínico (RAC).


Trajetória da Saúde Digital no SUS

Além das leis, dos decretos e das portarias, as resoluções da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) tratam de temas como o Conjunto Mínimo de Dados (CMD) e a estrutura da governança digital. Observe algumas delas:

CIT n.º 34 de 14 de dezembro de 2017

 

Altera o Conjunto Mínimo de Dados.

CIT n.º 33 de 22 de março de 2018

 

Institui os documentos clínicos: Sumário de Alta e Registro de Atendimento Clínico.

Já a padronização técnica é feita com base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), cujo acervo possui 46 normas. Confira abaixo algumas delas:

  1. ABNT NBR ISO 13606-1:2020 – Informática em Saúde – Comunicação do Registro Eletrônico de Saúde – Parte 1: Modelo de referência.
  2. ABNT NBR ISO 13606-4:2020 – Informática em Saúde – Comunicação do Registro Eletrônico de Saúde – Parte 4: Segurança.
  3. ABNT NBR ISO 13606-2:2020 – Informática em Saúde – Comunicação do Registro Eletrônico de Saúde – Parte 2: Especificação de Arquétipos de Interconexão.
  4. ABNT NBR ISO 27799:2019 – Informática em Saúde: Gestão da segurança da informação em saúde utilizando a ISO/IEC 27002.
  5. ABNT NBR ISO 11238:2019 – Informática em Saúde: Identificação de dados para a identificação unívoca e o intercâmbio de informação regulatória sobre substâncias.
  6. ABNT NBR ISO HL7 10781:2017 – Informática em Saúde – Registro de Saúde Eletrônico HL7 – Modelo funcional de sistema – Versão 2 (EHR MF).
  7. ABNT NBR 16472-1:2016 – Informática em Saúde – Sumário de alta para continuidade do cuidado – Parte 1: Modelo de informação.

PARA SABER MAIS

Para entender mais sobre esses marcos legais e onde aconteceram, acesse o vídeo "Encontro SUS Digital – Noções Gerais e Marcos Legais":

Conhecendo os principais marcos legais e regulatórios, que tal sabermos quem está por trás disso tudo? A Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) é a secretaria responsável por essa área no Ministério da Saúde.


Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI)

A SEIDIGI é a secretaria do Ministério da Saúde desenvolvida para estruturar, coordenar e impulsionar a transformação digital no SUS. Instituída oficialmente pelo Decreto n.º 11.358, em 1º de janeiro de 2023, tem como objetivo garantir atendimento integral e acessível ao usuário do SUS, reconhecendo-o como protagonista da sua trajetória de saúde23.

Cabe à SEIDIGI formular, liderar e executar políticas públicas direcionadas à Saúde Digital, estabelecendo diretrizes, estratégias e ações para o desenvolvimento da área no SUS. A secretaria é composta por três departamentos, cada um com funções específicas voltadas à consolidação da Saúde Digital no país:

DataSUS

O Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS) foi integrado à SEIDIGI em 2023, tendo como missão implementar ações estratégicas voltadas à digitalização e à informatização do sistema público de saúde no Brasil. É responsável ainda por desenvolver, manter e integrar os Sistemas de Informação em Saúde. Entre suas principais vertentes de ação há a implantação do prontuário eletrônico unificado do cidadão, a proteção e a integridade dos dados em saúde, a expansão da conectividade nos estabelecimentos de saúde e o desenvolvimento de soluções interoperáveis.

DEMAS

A principal atuação do Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas em Saúde (DEMAS) é coordenar processos de Monitoramento & Avaliação das políticas e ações de saúde, além de estruturar mecanismos de produção, qualificação e divulgação de dados de maneira estratégica. Tem o objetivo de fornecer informações confiáveis e acessíveis que apoiem tomada de decisão, sirvam de base para pesquisas e promovam acesso à informação pela sociedade.

DESD

O Departamento de Saúde Digital e Inovação (DESD) é responsável por fomentar políticas e iniciativas direcionadas à Saúde Digital, inovação tecnológica e Telessaúde no SUS. Entre as atribuições estão: a expansão e o fortalecimento dos Núcleos de Telessaúde; a formulação de normas e diretrizes técnicas; o incentivo à educação permanente em Saúde Digital; e a qualificação de soluções tecnológicas aplicadas ao SUS.

Sua atuação engloba desde a governança de Sistemas de Informação em Saúde à implantação de serviços digitais direcionados aos usuários. Possui parcerias com outras secretarias para consolidar sob uma única estrutura toda a articulação da Tecnologia da Informação em saúde23.

PARA SABER MAIS

No portal da SEIDIGI você tem acesso a mais informações sobre evoluções tecnológicas aplicadas no SUS e outras novidades. Para ficar por dentro e não perder as últimas notícias, acesse:

• Fique por dentro – Últimas notícias: informação e Saúde Digital.

A criação dessa secretaria representa um marco na trajetória da Saúde Digital no SUS, pois estabelece uma governança mais sólida e organizada. Com isso, a secretaria fortalece pontos-chave para o avanço do sistema de saúde, como:

  1. Eficiência e otimização da assistência à saúde em todos os níveis de atenção;
  2. Dados de qualidade para a gestão em todas as esferas;
  3. Transparência e empoderamento aos usuários; e
  4. Formação e qualificação de profissionais para atuação com tecnologias digitais.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Saúde Digital é “o campo de conhecimento e prática associado ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias digitais para melhorar a saúde”. Para o Ministério da Saúde, ela é um “conjunto de saberes, técnicas, práticas, atitudes, modos de pensar e valores relacionados ao uso de tecnologias digitais em saúde e ao crescimento do espaço digital”. Ambas as definições propõem que a Saúde Digital possa ser compreendida como uma área que associa a aplicação de tecnologias digitais para proporcionar melhorias na saúde dos indivíduos.

Assim, é importante ter em mente que o conceito atual da Saúde Digital pode ser ressignificado à medida que novas tecnologias e compreensões são consolidadas, em busca de uma compreensão mais profunda que envolva o conjunto de saberes, técnicas e práticas que ultrapassem abordagens físicas, estruturais, operacionais e técnicas, orientando uma rearticulação política de ecossistemas de saúde e transversalidades.

Diante da compreensão do que ela é, é possível perceber que existem inúmeras formas de aplicá-la no cotidiano de profissionais que atuem no Sistema Único de Saúde (SUS), seja um profissional de Tecnologia da Informação (TI), da saúde ou um gestor, e independente de em qual nível de atenção à saúde atua.

Dessa forma, a Saúde Digital tem sido materializada a partir de diversas práticas, tais como: no desenvolvimento, manutenção e uso de Sistemas de Informação em Saúde interoperáveis; no uso de padrões e terminologias padronizadas da área da saúde; na utilização de registros eletrônicos integrados para acompanhamento remoto de usuários, a exemplo do Prontuário Eletrônico do cidadão (PEC); na Telessaúde; na implementação de soluções tecnológicas para otimização de serviços; na informatização de estabelecimentos de saúde; no uso de gestão à vista guiada por painéis dinâmicos elaborados a partir de big data.

Essas são algumas formas de aplicar a Saúde Digital no SUS de modo a promover inovação, sustentabilidade, equidade e acessibilidade.


Considerações finais

A digitalização do SUS representa muito mais do que a modernização dos serviços de saúde. Ela aponta para uma mudança de paradigma, em que o cuidado passa a ser cada vez mais centrado no usuário, baseado em dados, acessível e contínuo. Ao longo deste material, pudemos compreender que a Saúde Digital é um campo dinâmico, que envolve múltiplas tecnologias, conceitos e práticas voltadas à melhoria da atenção e da gestão em saúde. Essa transformação exige novas competências, marcos legais robustos e uma estrutura organizacional capaz de liderar e sustentar as mudanças.

A exploração dos conceitos fundamentais da Saúde Digital nos permitiu entender suas interfaces com outras áreas e termos, e evidenciou a importância das TDICs no processo de transformação da saúde pública. Tecnologias como Telessaúde, Registros Eletrônicos de Saúde, inteligência artificial, interoperabilidade e big data são hoje ferramentas essenciais no cotidiano dos profissionais do SUS.

Além das ferramentas tecnológicas, destacamos dois pontos fundamentais:

Regulamentação

A importância do aparato normativo que regulamenta o uso dessas tecnologias, como leis, portarias e normas técnicas que garantam segurança, transparência, padronização e ética na utilização dos dados em saúde.

SEIDIGI

A fundamental atuação da SEIDIGI e de seus departamentos em garantir a transformação digital do SUS, por meio de formulação, liderança e execução de políticas públicas voltadas à Saúde Digital no país, ampliando o acesso à saúde.

Finalizamos este percurso com a certeza de que a Saúde Digital não é apenas um conjunto de soluções tecnológicas, mas uma proposta abrangente de reorganização do cuidado, das relações profissionais e da gestão em saúde. Esperamos que o conhecimento aqui compartilhado contribua para fortalecer seu papel como profissional comprometido com a inovação, a equidade e a humanização do SUS.


Referências

  1. WHO. Global strategy on digital health 2020–2025. Geneva: World Health Organization, 2021. 44 p. Disponível em: https://apps.who.int/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS n.º 3.232, de 1º de março de 2024. Altera a Portaria de Consolidação GM/MS n.º 5, de 28 de setembro de 2017, para instituir o Programa SUS Digital. Diário Oficial da União, seção 1, Brasília, DF, n. 42, p. 52, 4 mar. 2024a. Disponível em: https://www.in.gov.br/... . Acesso em: 22 maio 2025.
  3. DAL SASSO, G. T. M. D. et al. Domínios, competências e habilidades em informática em saúde e saúde digital: análise documental. Journal of Health Informatics, v. 16, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.59681/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  4. BRAGA, R. D. (org.) et al. Trajetória da saúde digital no Brasil. 2. ed. Goiânia: Cegraf UFG, 2022. 71 p. Disponível em: http://repositorio.bc.ufg.br/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Informação e Saúde Digital. Manual Instrutivo do Programa SUS Digital. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024b. 38 p. Disponível em: https://www.gov.br/saude/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  6. ALMEIDA FILHO, N. Meta-presentiality, Digital Health, and Collective Health. Interface: Communication, Health, Education, v. 28, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  7. BRASIL. Ministério da Saúde. Entenda as principais características dos sistemas de informação do Ministério da Saúde. Gov.br, Brasília, DF, 10 jul. 2023a. Disponível em: https://www.gov.br/saude/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  8. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS n.º 3.691, de 23 de maio de 2024. Altera a Portaria de Consolidação GM/MS n.º 5, de 28 de setembro de 2017, para instituir a Ação Estratégica SUS Digital – Telessaúde. Diário Oficial da União, seção 1, Brasília, DF, n. 103, p. 130, 29 maio 2024c. Disponível em: https://www.in.gov.br/... . Acesso em: 22 maio 2025.
  9. BARBALHO, I. M. P. et al. Electronic health records in Brazil: prospects and technological challenges. Frontiers in Public Health, v. 10, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.3389/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  10. BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde estuda uso de robôs para realizar cirurgias no SUS. Gov.br, Brasília, DF, 01 nov. 2017. Disponível em: https://www.gov.br/saude/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  11. BRASIL. Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Centros de simulação garantem qualificação segura a profissionais em atividade e em formação no hospital da Rede Ebserh em Belo Horizonte. Gov.br, Brasília, DF, 20 jul. 2023b. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  12. BRASIL. Hospital das Clínicas da UFMG. Cirurgia robótica de coluna é tema de treinamento prático para residentes de Ortopedia do HC-UFMG. Gov.br, Belo Horizonte, 20 jul. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  13. MORIMOTO, S. Y. U. et al. Órteses e próteses de membro superior impressas em 3D: uma revisão integrativa. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 29, 2021. Disponível em: https://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  14. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n.º 2.073, de 31 de agosto de 2011. Regulamenta o uso de padrões de interoperabilidade e informação em saúde para sistemas de informação em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde, nos níveis municipal, distrital, estadual e federal. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  15. CHIAVEGATTO FILHO, A. D. P. Uso de big data em saúde no Brasil: perspectivas para um futuro próximo. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 24, n. 2, p. 325–332, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  16. ALBUQUERQUE, M. dos S. et al. SUSi: chatbot na promoção do conhecimento da Atenção Primária à Saúde. Revista Científica Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues, v. 17, n. 1, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.54620/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  17. CAVALCANTI, C. M. et al. O uso da inteligência artificial em exames de mamografia para predição e diagnóstico do câncer de mama: uma revisão integrativa. Revista da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, v. 3, n. 7, p. 66–75, 2025. Disponível em: https://rfcm.emnuvens.com.br/... . Acesso em: 02 jul. 2025.
  18. BRASIL. Presidência da República. Decreto n.º 9.854, de 25 de junho de 2019. Institui o Plano Nacional de Internet das Coisas e dispõe sobre a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina a Máquina e Internet das Coisas. Brasília, DF: Presidência da República, 2019a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  19. GASPAR, J. S. et al. Ensino de Saúde Digital no Brasil: estado da arte dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu. Journal of Health Informatics, v. 16, n. esp., 2024. Disponível em: https://doi.org/10.59681/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  20. MODESTO, L. J. B. et al. Prospecção de Cursos em Saúde Digital no Brasil. Journal of Health Informatics, Brasil, v. 15, n. esp., 2023. Disponível em: https://doi.org/10.59681/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  21. LIMA, L. F.; MEIRELES, F.; PERES, L. Tecnologias de engenharia de software para o desenvolvimento de sistemas de saúde de código aberto: um mapeamento sistemático da literatura. Journal of Health Informatics, v. 15, n. esp., 2023. Disponível em: https://doi.org/10.59681/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  22. HADDAD, A. E.; LIMA, N. T. Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS). Interface: Communication, Health, Education, Botucatu, v. 28, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/... . Acesso em: 05 ago. 2025.
  23. BRASIL. Ministério da Saúde. Informação e Saúde Digital. Gov.br, [c2025?]. Composição. Disponível em: https://www.gov.br/saude/... . Acesso em: 05 ago. 2025.

Créditos


Secretaria de Informação e Saúde Digital – SEIDIGI
Ana Estela Haddad

Coordenação do Projeto
Paola Trindade Garcia

Coordenação-Geral da UNA-SUS/UFMA
Elza Bernardes Ferreira

Elaboração de conteúdos e atividades
Francenilde Silva de Sousa

Validação Pedagógica
Isabelle Aguiar Prado

Validação Técnica - SEIDIGI
Ana Estela Haddad
Maria Aparecida da Silva

RECURSOS EDUCACIONAIS

Identidade Visual
Jackeline Mendes Pereira

Design Instrucional
Donny Wallesson dos Santos

Design Gráfico
Clara Terra Rayol Santos

Revisão Textual
Talita Guimarães Santos Sousa

Homologação no AVA
Alessandra Viana Natividade Oliveira
Francisco Vinicius de Lima Menezes
Tiana Santos Soeiro

Tecnologia da Informação
Kleydson Beckman Barbosa

COMO CITAR ESTE MATERIAL


SOUSA, Francenilde Silva de. Saúde Digital no SUS: conceitos, tecnologias e transformação na atenção à saúde. São Luís, MA: UFMA; SEIDIGI/MS, 2025. 11p. Material digital elaborado para o curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem SIAII/SEIDIGI.


©2025 Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde & Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.


Aula 03 - Marcos da Saúde Digital no SUS: políticas, estratégias e iniciativas

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A transformação digital na saúde pública brasileira representa um marco estratégico para a modernização do Sistema Único de Saúde (SUS). Em um cenário de avanços tecnológicos acelerados, demandas sociais crescentes e necessidade de garantir transparência, segurança e acesso à informação, a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS) estabelece princípios e diretrizes voltados à integração de sistemas, ao incentivo à inovação e ao fortalecimento da governança no uso estratégico de dados em saúde, abrangendo os setores público e privado.

Essa política se articula com iniciativas estruturantes, como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que viabiliza a interoperabilidade e aprimora o compartilhamento de informações. Outro exemplo é o Programa SUS Digital, que consolida ações voltadas à informatização, à formação continuada de profissionais e à ampliação do acesso a soluções tecnológicas. Juntas, essas estratégias promovem melhorias na gestão, qualificam os processos assistenciais e fortalecem o protagonismo do cidadão no cuidado à própria saúde.

Nesta aula, você vai reconhecer os marcos históricos, as políticas e as estratégias que fundamentam a consolidação da Saúde Digital no SUS. Você deve compreender não apenas a estrutura normativa que sustenta esse processo, mas também as mudanças culturais e institucionais necessárias para a plena incorporação das tecnologias digitais à prática em saúde, considerando os princípios de universalidade, da integralidade e da equidade que orientam o sistema público de saúde.


OBJETIVO DE APRENDIZAGEM

Ao final dos seus estudos, você será capaz de reconhecer os marcos históricos, as políticas e as estratégias que fundamentam a consolidação da Saúde Digital no SUS.


Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS)

A versão mais recente da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS) é a de 2021, instituída pela Portaria GM/MS n.º 1.768/2021. É uma política flexível, que precisa estar em constante revisão para acompanhar as atualizações tecnológicas, responder às demandas da sociedade e enfrentar desafios que surgem no SUS.

Mas, afinal, para que serve a PNIIS? A PNIIS tem como finalidade estabelecer princípios e diretrizes que direcionem o setor público e privado na efetiva integração dos Sistemas de Informação em Saúde. Ela fomenta a inovação e a transformação digital dos processos de trabalho em saúde, fortalecendo a governança sobre o uso da informação e das ferramentas tecnológicas.Dessa forma, essa medida garante transparência, proteção e acesso da sociedade aos dados em saúde, visando à melhoria da saúde do cidadão.

A PNIIS é uma política norteadora da Saúde Digital e é considerada o marco normativo mais amplo para a transformação digital no SUS. Ela serve como base legal e operacional para a implantação de soluções digitais seguras, éticas e interoperáveis. Essa regulamentação orienta a integração, a modernização e o uso estratégico da informação em todo o SUS e tem os seguintes princípios:

Dados para cuidado integral e equitativo

Informação para políticas e vigilância

Democratização dos dados no SUS

Acesso aberto como direito

Produção e uso descentralizados

Autenticidade e qualidade da informação

Privacidade e segurança de dados

Autonomia no compartilhamento

Processos otimizados e interoperáveis

Cidadão e bem-estar no centro

RNDS como integração nacional

Proteção igualitária dos dados pessoais

Para que a política se mantenha atual e efetiva para a transformação digital, é essencial que exista cooperação entre os diversos atores do SUS. Por isso, a política destaca as responsabilidades de cada um deles. Acompanhe na representação a seguir:

Gestão municipal e estadual

 

Implementação e apoio às ações de Saúde Digital nos seus respectivos territórios, conforme a política.

Conselhos de saúde

 

Promoção de saberes, monitoramento e avaliação da aplicação da política.

Estabelecimentos de saúde


Planejamento e adequação dos sistemas à RDNS, assegurando privacidade e segurança dos dados dos usuários.

Profissionais da saúde


Responsabilidade e zelo pela qualidade dos dados produzidos.

Usuários


Construção e fiscalização do uso dos seus dados.

Gestão federal

 

Elaboração e coordenação de estratégias alinhadas à política.

A partir disso, é possível observar que a PNIIS é transversal e articulada com diversas outras políticas, contribuindo para melhorar a gestão e os processos assistenciais. Ela auxilia na garantia da segurança, da transparência e do acesso à informação em saúde, além de apoiar o protagonismo do cidadão no cuidado à sua saúde.


Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)

A RNDS é uma plataforma nacional instituída pela Portaria GM/MS n.º 1.434, de 28 de maio de 2020, como parte essencial do antigo Programa Conecte SUS, hoje chamado Programa SUS Digital. A definição e a aplicação da RNDS permitem a seguinte proposta de visão estratégica:

A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) é a plataforma oficial de interoperabilidade do Ministério da Saúde. Criada para conectar diferentes sistemas de saúde em todo o Brasil, a RNDS estabelece a infraestrutura nacional para o compartilhamento seguro e padronizado de dados de saúde, garantindo mais eficiência na gestão da informação e aprimorando a qualidade dos serviços prestados à população.

A RNDS surgiu com o propósito de integrar e interoperar informações entre estabelecimentos de saúde, promovendo a continuidade do cuidado em todos os pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Isso faz com que haja o compartilhamento de informações de forma mais otimizada e eficiente³. Acompanhe a representação da RNDS como plataforma de inovação, informação e serviços digitais em saúde na imagem a seguir:

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Fonte: Adaptado de CONASEMS. Municípios capixabas conectam unidades básicas de saúde à RNDS. Brasília: Conasems, [2023?]. Disponível em: https://portal.conasems.org.br/.... Acesso em: 27 ago. 2025.

A RNDS está estruturada a partir de diretrizes que incluem:

  1. Interoperabilidade entre sistemas por meio de padrões abertos, como o HL7 FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources, desenvolvido pela organização Health Level Seven International), adotado pelo Ministério da Saúde;
  2. Respeito à privacidade e à segurança de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD);
  3. Garantia de acesso à informação de saúde para cidadãos, profissionais e gestores; e
  4. Suporte à gestão, à vigilância em saúde, à pesquisa e à formulação de políticas públicas.

A RNDS permite que profissionais de saúde consultem e atualizem o histórico clínico dos usuários por meio da plataforma SUS Digital Profissional, favorecendo melhorias no atendimento, no registro de informações e no compartilhamento de cuidados entre os serviços. Para os gestores, oferece acesso a dados agregados via sistema SUS Digital Gestor, possibilitando planejamento, monitoramento e avaliação mais eficientes, com melhor uso dos recursos públicos. Já os usuários contam com o serviço Meu SUS Digital, que garante acesso seguro e individual ao próprio histórico clínico, promovendo transparência e autonomia.

PARA SABER MAIS

Que tal conhecer um pouco mais sobre cada uma dessas plataformas? Acesse os links a seguir:

SUS Digital Profissional;
SUS Digital Gestor;
Meu SUS Digital.

A RNDS pode ser acessada por diversos sistemas e prontuários eletrônicos integrados que façam uso do padrão proposto pelo Ministério da Saúde. No entanto, ela é a base estruturante do Programa Meu SUS Digital para os três públicos (profissionais, gestores e cidadãos).

VOCÊ SABIA?

Existe um guia da RNDS, cuja finalidade é orientar gestores de serviços de saúde e a profissionais de TI sobre o processo de integração com a rede. Ele descreve modelos clínicos informacionais (conjunto mínimo de dados e serviços informacionais disponíveis) e computacionais (Master Patient Index, Backend For Frontend, Serviços Eletrônicos de Saúde, Fast Healthcare Interoperability Resources e Repositório de Terminologias em Saúde). Além disso, o guia apresenta contextos para melhorar a compreensão do portal de serviços integrados. Para aprofundar o entendimento sobre a RNDS, recomenda-se a leitura do guia da RNDS, disponível no site oficial do Ministério da Saúde. Para isso, acesse:

Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).


Programa SUS Digital

O Programa SUS Digital é a maior iniciativa de transformação digital do SUS. Foi instituído pelas Portarias GM/MS n.º 3.232 e n.º 3.233, com o objetivo de incorporar as tecnologias digitais do País, promovendo um SUS acessível, resolutivo, equitativo e centrado no cidadão. Esse programa está estruturado em três eixos estratégicos4,5, dispostos a seguir:

Cultura de Saúde Digital, formação e educação permanente em saúde Soluções tecnológicas e serviços de Saúde Digital Interoperabilidade, análise e disseminação de dados e informações de saúde
O primeiro eixo está voltado à capacitação de profissionais, ao fortalecimento do ecossistema digital e à promoção da proteção de dados sensíveis. O segundo eixo apoia a informatização das unidades de saúde, a melhoria infraestrutura e ampliação da telessaúde. Por fim, o terceiro eixo foca na integração de dados, na segurança da informação e no uso de evidências para o aprimoramento da gestão e da atenção em saúde.

O Programa SUS Digital permite grande parte da operacionalização da PNIIS e da RNDS. O processo de implementação foi dividido em três etapas: planejamento, execução e avaliação. A primeira etapa, que conta com 100% de adesão dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, compreende a elaboração dos Planos de Ação de Transformação para a Saúde Digital (PA Saúde Digital). Eles foram baseados no diagnóstico situacional e no Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital (INMSD), permitindo mapear capacidades e desafios locais.

A partir do INMSD, foi possível mapear capacidades locais fundamentadas em uma abordagem estruturada em domínios e subdomínios da Saúde Digital. Clique nos domínios abaixo e conheça os subdomínios que contemplam temáticas relacionadas à Saúde Digital:

  1. Gestão e Governo em Saúde Digital
    1. Liderança e articulação
    2. Privacidade e confidencialidade
    3. Financiamento
    4. Política
    5. Planejamento
  2. Formação e Desenvolvimento Profissional
    1. Parceria com Instituições de ensino e pesquisa
    2. Formação contínua em Saúde Digital
    3. Interdisciplinaridade e abrangência na formação em Saúde Digital
    4. Equipe de Tecnologias da Informação e Conectividade (TIC) e Saúde Digital
  3. Sistemas e Plataformas de Interoperabilidade
    1. Registro Eletrônico em Saúde
    2. Sistemas Nacionais em Saúde
    3. Adoção e Interoperabilidade
    4. Gestão e governança dos dados e tecnologias de informação
    5. Gestão e governança dos sistemas de informação e bases de dados
  4. Telessaúde e Serviços Digitais
    1. Gestão de serviços em Telessaúde
    2. Estratégia de apoio à jornada do paciente
    3. Inovação em plataformas para Telessaúde
    4. Uso de videoconferências síncronas (ao vivo)
    5. Monitoramento remoto de pacientes (telemonitoramento)
  5. Infostrutura
    1. Padrões de Terminologias Clínicas
    2. Acesso à Informação
    3. Ações de comunicação e informação
    4. Informação e Gestão do Conhecimento
    5. Combate à desinformação
  6. Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas
    1. Geração e uso de indicadores para avaliação do impacto das tecnologias digitais
    2. Disseminação de informações estratégicas
    3. Instrumentos de planejamento
  7. Infraestrutura e Segurança
    1. Conectividade
    2. Segurança da informação
    3. Datacenter e capacidade de armazenamento em nuvem
    4. Estrutura física e capacidade de equipamentos
    5. Arquitetura

O Programa SUS Digital conta com financiamento federal específico destinado ao custeio de ações estruturantes. Esses recursos deverão ser distribuídos com base em critérios de equidade, considerando vulnerabilidades sociais, conectividade e tipologias territoriais. A iniciativa busca ampliar o acesso, a integralidade e a qualidade da atenção à saúde em todo o Brasil. Mais do que modernização tecnológica, é uma mudança cultural e institucional que visa utilizar a Saúde Digital para resolução de desafios atuais e futuros no SUS.


Linha do tempo da Saúde Digital no SUS


A transformação digital no SUS possui uma trajetória contínua de avanços tecnológicos, atualização de normativas e inovações institucionais. Desde 1990, com a Lei Orgânica de Saúde (Lei n.º 8080/1990), que as tecnologias digitais são pontuadas como utilizáveis para otimização na saúde.

A partir disso, foram muitos os avanços: Sistemas de Informação em Saúde foram implementados e atualizados; buscas e sugestões de padrões interoperáveis; elaboração de tabelas com unificação de terminologias clínicas; aprimoramento da Telessaúde; oferta de formações que promovem a Saúde Digital; legislações sobre transparência e uso de dados em saúde; e lançamentos de estratégias digitais.

Como entender a dimensão dessa evolução? Para isso, apresentamos a seguir uma linha do tempo com os principais marcos históricos, legais e iniciativas que embasam a Saúde Digital no SUS — em seus diversos níveis de atenção à saúde e nos últimos dez anos, partindo da publicação da PNIIS em 2015:

2015

2018

2019

2020

2021

2022

2023

2024

2025

Agora que você já sabe como tem sido a trajetória da Saúde Digital, com marcos históricos e regulatórios, você consegue materializá-la na sua rotina de trabalho? Que tal refletirmos sobre algumas aplicações da Saúde Digital no SUS?


Considerações finais

A consolidação da Saúde Digital no SUS vai muito além da adoção de ferramentas tecnológicas. Trata-se de um processo contínuo e estratégico, sustentado por políticas, programas e marcos normativos que garantem a integração, a segurança, a transparência e o uso ético da informação em saúde. A PNIIS, a RNDS e o Programa SUS Digital demonstram como a transformação digital é capaz de fortalecer a gestão, qualificar a atenção e colocar o cidadão no centro do cuidado.

O reconhecimento desses instrumentos e de suas articulações amplia a percepção sobre a importância das mudanças culturais e institucionais para que o SUS se mantenha moderno, eficiente e alinhado às demandas da sociedade. Mais do que um avanço tecnológico, a Saúde Digital representa um compromisso com a universalidade, a integralidade e a equidade, princípios que orientam o sistema de saúde brasileiro.

Esperamos que o conhecimento adquirido aqui ofereça subsídios para que cada profissional atue de forma crítica, segura e inovadora, contribuindo para um SUS digitalmente integrado, resolutivo e centrado no bem-estar do cidadão.


Referências


1. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1.768, de 30 de julho de 2021. Altera o Anexo XLII da Portaria de Consolidação GM/MS nº 2, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 145, p. 45, 2 ago. 2021. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/... . Acesso em: 24 maio 2025.


2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI). Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). [S.l.: s.n.], [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/... . Acesso em: 26 ago. 2025.


3. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.434, de 28 de maio de 2020. Institui o Programa Conecte SUS e altera a Portaria de Consolidação nº 1/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para instituir a Rede Nacional de Dados em Saúde e dispor sobre a adoção de padrões de interoperabilidade. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 103, p. 61, 29 maio 2020b. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/... . Acesso em: 26 maio 2025.


4. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.232, de 1º de março de 2024. Altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, para instituir o Programa SUS Digital. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 42, p. 76–77, 4 mar. 2024d. Disponível em: https://pesquisa.in.gov.br/... . Acesso em: 04 out. 2025.


5. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.233, de 1º de março de 2024. Regulamenta a Etapa 1: Planejamento, referente ao Programa SUS Digital, de que trata o Anexo CVIII à Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, para o ano de 2024. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 43, p. 100, 5 mar. 2024e. Disponível em: https://pesquisa.in.gov.br/... . Acesso em: 04 out. 2025.


6. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual instrutivo SUS Digital: planos de ação. Brasília, 2024f. Disponível em: https://www.gov.br/saude/... . Acesso em: 04 out. 2025.


7. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Informação e Saúde Digital. Manual Instrutivo do Programa SUS Digital [recurso eletrônico]. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024b. 38 p.


Créditos


Secretaria de Informação e Saúde Digital – SEIDIGI
Ana Estela Haddad

Coordenação do Projeto
Paola Trindade Garcia

Coordenação-Geral da UNA-SUS/UFMA
Elza Bernardes Ferreira

Elaboração de conteúdos e atividades
Francenilde Silva de Sousa

Validação Pedagógica
Isabelle Aguiar Prado

Validação Técnica - SEIDIGI
Ana Estela Haddad
Maria Aparecida da Silva

RECURSOS EDUCACIONAIS

Identidade Visual
Jackeline Mendes Pereira

Design Instrucional
Steffi Greyce de Castro Lima

Design Gráfico
Clara Terra Rayol Santos

Revisão Textual
Vitória Regina de Alencar Araújo

Homologação no AVA
Alessandra Viana Natividade Oliveira
Francisco Vinicius de Lima Menezes
Tiana Santos Soeiro

Tecnologia da Informação
Kleydson Beckman Barbosa

COMO CITAR ESTE MATERIAL


SOUSA, Francenilde Silva de. Marcos da Saúde Digital no SUS: políticas, estratégias e iniciativas. São Luís, MA: UFMA; SEIDIGI/MS, 2025. 09p. Material digital elaborado para o curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem SIAII/SEIDIGI


©2025 Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde & Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.


Aula 04 - Aplicações da Saúde Digital no SUS

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Neste material, vamos explorar diversas formas de aplicação da Saúde Digital por meio da apresentação de quatro situações fictícias inspiradas na realidade profissional do Sistema Único de Saúde (SUS). Essas situações são as histórias da médica Maria, do enfermeiro Carlos, da gestora Francisca e do analista João. As narrativas demonstram o uso das ferramentas: Telemedicina; Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC); Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS); Meu SUS Digital (antigo Programa Conecte SUS); Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde (e-SUS APS); Inteligência Artificial (IA) para análise de exames; e painéis interativos para visualização de indicadores.

Ademais, vamos destacar a importância da Saúde Digital na modernização tecnológica e no fortalecimento dos princípios do SUS, especialmente evidenciada durante a pandemia de covid-19. Serão expostas iniciativas como o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde/Informação e Saúde Digital (PET-Saúde Digital) — uma parceria entre os Ministérios da Saúde e Educação focada na transformação digital do SUS —, além de eventos como o Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS) e o Simpósio Internacional de Transformação Digital no SUS, que promovem o debate e a inovação na área.

OBJETIVO DE APRENDIZAGEM

Ao final, esperamos que você consiga compreender as aplicações práticas da Saúde Digital na Rede de Assistência à Saúde (RAS), com destaque para situações práticas inspiradas na realidade profissional.

Aplicações da Saúde Digital

A Saúde Digital tem diversas formas de aplicação na RAS. Para entender melhor sobre como ela está sendo aplicada no SUS, acompanhe as situações fictícias de Maria, Carlos, Francisca e João. Clique nos áudios a seguir para ouvir as histórias dos quatro profissionais que atuam no SUS:

Doutora Maria, neurologista

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Maria e o Meu SUS Digital


Conheça Maria, médica neurologista que realiza atendimentos via Telemedicina, utiliza o Meu SUS Digital e participa do PET Saúde Digital, integrando tecnologia e inovação para aprimorar o cuidado e a formação em saúde.

Transcrição do Áudio

[Vinheta de abertura]

Vamos conhecer a Maria? Maria é médica, especialista em neurologia, em um hospital universitário de uma capital nordestina. Na sua rotina de trabalho, Maria realiza atendimentos ambulatoriais remotos por meio da Telemedicina.

— Gosto muito do meu trabalho, é bastante desafiador, mas quando nos acostumamos a usar as tecnologias disponíveis, vemos que podemos facilitar vários processos.

Em um dos atendimentos, Maria acessou o Prontuário Eletrônico do Cidadão, o PEC, para revisar o histórico do seu Francisco, usuário do SUS que recentemente sofreu um AVE, Acidente Vascular Encefálico, e agora será acompanhado pela neurologista.

Por meio do sistema integrado à Rede Nacional de Dados em Saúde, RNDS, Maria consegue acesso aos registros realizados na APS, laudos laboratoriais, resultados de exames de imagem e prescrições solicitados por outros médicos, inclusive em outros estados, que foram sincronizados via Meu SUS Digital. Em seguida, ela utiliza o receituário digital para prescrever o medicamento necessário para o tratamento de seu Francisco.

— O Meu SUS Digital é uma ferramenta maravilhosa, que só tem a melhorar se pudermos discutir mais sobre a tecnologia, testá-la no nosso cotidiano.

Ao fim desse atendimento, que seria o último do dia, Maria seguiu para um encontro híbrido com alunos de graduação da área da saúde e da TI, participantes do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde/Informação e Saúde Digital, também conhecido por PET Saúde Digital, residentes e outros especialistas espalhados por todo o Brasil.

Neste encontro em específico, Maria e os alunos do PET Saúde Digital utilizaram a IA, Inteligência Artificial, para auxiliá-los na análise de exames de imagens de um usuário cujo caso é complexo, além de discutirem sobre possíveis condutas.

Para além disso, nesses encontros, que são mensais e realizados na sala de videoconferência do hospital, há a discussão acerca do uso ético e estratégico de tecnologias digitais, incentivo para a criação de soluções digitais inovadoras e promoção à proteção de informações e a troca de dados entre diferentes níveis de atenção.

— Adoro os encontros do PET Saúde Digital! É uma área que está em pleno desenvolvimento, então precisamos nos apropriar disso. Todos os dias a tecnologia pode surgir com novas ferramentas que podem nos ajudar ou nos inspirar, somos todos estudantes o tempo todo!

Essa é a realidade da Dr.ª Maria, médica que está cada vez mais usando a tecnologia a seu favor. Quais ferramentas usadas por ela você também já utilizou na sua prática?

[Vinheta de encerramento]

PARA SABER MAIS

O PET-Saúde Digital é uma iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação que integra ensino, serviço e sociedade com foco na transformação digital do SUS. Ela reúne docentes e estudantes da saúde e da informação em grupos tutoriais colaborativos. Para entender mais sobre o programa, acesse o vídeo:

PET-Saúde: Informação e Saúde Digital.

Carlos, enfermeiro da Estratégia Saúde da Família

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O SUS sempre por perto


Carlos é um enfermeiro de uma equipe da ESF que utiliza o e-SUS APS em visitas domiciliares e apresenta o Meu SUS Digital às famílias, facilitando o acesso a informações de saúde e promovendo mais autonomia no cuidado.

Transcrição do Áudio

[Vinheta de abertura]

Agora vamos conhecer o Carlos, enfermeiro de uma UBS localizada no interior de um estado da região centro-oeste. Ele faz parte da equipe da Estratégia Saúde da Família, composta também por um médico e Agentes Comunitários de Saúde. Em sua rotina, Carlos realiza visitas domiciliares agendadas com a equipe, levando o tablet que fica disponível aos profissionais da UBS. O tablet que Carlos usa está conectado ao sistema e-SUS APS, que permite aos profissionais registrarem as informações dos usuários, para que haja atualização automática e segura junto à RNDS.

— Eu preencho todas as informações possíveis porque a gente sabe que quanto mais atualizado, melhor pra todo mundo.

Durante uma visita ao seu José, um idoso de 65 anos, o médico presente sugeriu o uso da Calculadora de Estratificação de Risco para verificar a probabilidade dele desenvolver doenças ou agravos crônicos não transmissíveis, como sobrepeso, obesidade, diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica. Além disso, foi realizada uma análise do risco cardiovascular global e uma avaliação de autocuidado.

Essa tecnologia digital institucional possibilita esse suporte aos profissionais da APS, pois são integradas ao prontuário do usuário. Com ela, foi possível identificar precocemente fatores de riscos e elaborar, de forma conjunta pela equipe, um plano de cuidado individualizado para o seu José.

— É muito bom quando a gente faz parte de uma equipe que conhece e sabe usar as ferramentas disponíveis. Facilita muito nosso trabalho, principalmente esses de visita, quando precisamos ter as informações em mãos.

Depois do seu José, foi a vez da visita à Joana. Ela é mãe de primeira viagem e estava com dúvidas sobre o esquema vacinal do filho. Carlos a relembrou quando seria a próxima vacina e, logo em seguida, a ACS da equipe apresentou à Joana o aplicativo Meu SUS Digital, informando que era só cadastrar o seu filho para ter acesso à Caderneta Digital da Criança.

Joana ficou sabendo que a Caderneta Digital da Criança notificaria as datas das próximas doses das vacinas, bem como permitiria que ela acompanhasse de forma mais fácil a curva de crescimento e desenvolvimento do seu filho, além de acessar o histórico clínico de consultas, procedimentos e exames, orientações sobre os cuidados com a Saúde Bucal, alimentação saudável, aleitamento materno e muitas outras informações importantes sobre a criança.

— Nós sempre tentamos ensinar aos responsáveis onde eles podem ter acesso a essas informações para que sejam também autônomos e corresponsáveis pelo seu cuidado.

Essa é a realidade do enfermeiro Carlos e de sua equipe. Você já indicou a algum paciente o uso do aplicativo Meu SUS Digital?

[Vinheta de encerramento]

PARA SABER MAIS

O Meu SUS Digital é a versão atual do Programa Conecte SUS. É um aplicativo que permite aos usuários acessar suas informações de saúde de forma rápida, segura e digital. Nele é possível ter acesso a histórico clínico, dados de vacinação, resultados de exames, medicações, posição em fila de transplante, à caderneta digital da criança e a outros serviços. Você pode baixar o aplicativo via web, no Google Play ou na App Store. Para compreender mais sobre ele, assista ao vídeo:

• Conheça o app Meu SUS Digital. 


Após conhecer os contextos profissionais da Maria, médica neurologista, e do Carlos, enfermeiro da ESF, vamos conhecer a realidade de outros profissionais igualmente importantes! Eles atuam em áreas administrativas e também fazem o SUS funcionar: a Francisca, gestora do SUS em uma secretaria estadual de saúde, e o João, analista de sistemas em uma maternidade pública.

Francisca, gestora do SUS

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Francisca e o desafio da gestão em Saúde Digital


Conheça Francisca, gestora do SUS, que realiza diagnóstico situacional para identificar problemas e subsidiar decisões estratégicas, promovendo a melhoria dos serviços de saúde por meio da Saúde Digital.

Transcrição do Áudio

[Vinheta de abertura]

Agora, conheça Francisca. Ela é uma gestora do SUS, lotada na coordenação de Saúde Digital de uma secretaria estadual de saúde. Durante uma visita técnica de representantes do Ministério da Saúde, Francisca, em conjunto com outros setores da secretaria, avaliou o cenário estadual, realizando o diagnóstico situacional em Saúde Digital. A partir da análise de dados da Central de Regulação Ambulatorial, provenientes de um sistema estadual próprio, foi observado que em uma macrorregião de saúde existia uma enorme fila de espera para consultas com especialista em cardiologia.

A partir da identificação desse problema, Francisca idealizou a possibilidade de utilizar recursos do Plano de Ação de Transformação para a Saúde Digital, o PA Saúde Digital, para enfrentá-lo, uma vez que era possível aplicar a Saúde Digital para isso. Ela e a equipe elaboraram um plano com objetivos, metas e prioridades bem definidos, alinhado aos domínios do Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital, o INMSD, detalhando todas as informações necessárias.

A proposta foi estruturar serviços de Telessaúde para agilizar o atendimento com cardiologistas naquela macrorregião. As ações incluíram o levantamento da oferta dos atendimentos para a especialidade via Telessaúde; adesão à modalidade de serviço pretendida (teleconsultoria, teletriagem, telediagnóstico, telemonitoramento e afins); revisão dos protocolos clínicos de atendimento segundo a linha de cuidado da cardiologia; implantação da infraestrutura adequada, incluindo aquisição de equipamentos e contratação de recursos humanos; e a formação das equipes para utilização da solução digital.

Esta situação fictícia foi adaptada do Manual Instrutivo SUS Digital, publicação do Ministério da Saúde, de 2024.

E você? Quais são os desafios que você vivencia na gestão?

[Vinheta de encerramento]

Na situação hipotética de Francisca, gestora em uma secretaria estadual de saúde na área da Saúde Digital, houve a apresentação de um ponto essencial no SUS: o diagnóstico situacional. A partir da identificação do problema, foi possível elaborar um plano de ação específico, que terá maiores chances de eficiência.

PARA REFLEXÃO

Diagnosticar é planejar com responsabilidade! Isso faz com que a Saúde Digital seja mais do que tecnologias digitais aplicadas à saúde: consiste numa solução digital concreta para problemas reais do SUS, promovendo acesso, equidade, resolutividade e continuidade do cuidado.

João, analista de sistemas

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João e a Internet das Coisas


João, analista de sistemas em uma maternidade pública, garante a integração e interoperabilidade dos sistemas de informação e usa a Internet das Coisas para otimizar processos e qualificar o cuidado em saúde.

Transcrição do Áudio

[Vinheta de abertura]

João é analista de sistemas em uma maternidade pública localizada na capital de um estado nortista. Em sua rotina, uma de suas atribuições é garantir que os sistemas de informação sejam integrados e interoperáveis para que se comuniquem adequadamente por meio do HL7 FHIR, o padrão adotado pelo Ministério da Saúde.

Junto com sua equipe, desenvolveu painéis interativos que permitiam a visualização de indicadores em tempo real, promovendo a gestão à vista de modo a apoiar decisões mais assertivas. Os dados eram captados do prontuário das usuárias de forma otimizada e automatizada. Agora, estão trabalhando no aprimoramento do sistema de controle inteligente do estoque do setor farmacêutico da maternidade.

Eles pretendem fazer isso com base na Internet das Coisas, com sensores conectados a refrigeradores que alertem variações bruscas de temperatura, bem como pretendem integrar todo o sistema do setor e das farmácias satélites, facilitando o monitoramento de prazos de validade, baixas críticas de estoque e condições inadequadas de armazenamento de medicamentos e insumos.

Como soluções em tecnologia estão sendo implementadas e discutidas no seu ambiente de trabalho?

[Vinheta de encerramento]

Padronizar as terminologias em saúde é fundamental para garantir qualidade, segurança e interoperabilidade nos Sistemas de Informação em Saúde. Assim, é importante que os profissionais que atuam no SUS tenham conhecimento de terminologias nacionais.


PARA SABER MAIS

A seguir, clique para acessar cada uma das principais terminologias padronizadas:

• Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID);
• Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM);
• Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS (SIGTAP);
• Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS).


Soluções em Saúde Digital no SUS

A partir das situações fictícias, você deve conseguir visualizar melhor as diversas aplicações da Saúde Digital na sua prática profissional. Diante desse cenário, que tal você refletir sobre a relevância dessa área?

Durante a pandemia de covid-19 e diante das recomendações de distanciamento social, a Saúde Digital foi bastante utilizada. Ela foi essencial para integrar os dados em saúde a partir de fontes intersetoriais, garantindo uma visão mais completa da saúde dos usuários. Entre as principais ações que auxiliaram no combate ao vírus, destacam-se:

  1. Ampliação do uso do Programa Conecte SUS (substituído Meu SUS Digital), com criação e emissão do certificado de vacinação contra a doença;
  2. Ampliação do e-SUS Notifica, sistema de notificações dos casos suspeitos e confirmados da doença;
  3. Plataforma covid-19, com a apresentação de painéis interativos (dashboards) com quantidade de casos novos e acumulados, número de óbitos e número de leitos disponíveis e ocupados;
  4. Parceria com a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) para Telessaúde emergencial;
  5. Monitoramento de usuários com sintomas leves por meio de plataformas e aplicativos de acompanhamento; e
  6. Oferta de cursos para capacitação dos profissionais.

Assim, cabe ressaltar a relevância da Saúde Digital, até mesmo diante de uma pandemia, para a modernização tecnológica a favor do fortalecimento dos princípios do SUS.

PARA SABER MAIS

A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) realiza o Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS) em todos os anos desde 2001. No CBIS do ano 2024 (CBIS24), foi abordado o tema “Saúde Digital: saúde para todos”, buscando impulsionar efeitos positivos na acessibilidade, na equidade, no acesso, na educação em saúde e na inovação a partir do uso da Saúde Digital. O evento contou com minicursos, seminários, sessões técnicas, palestras, mesas redondas e apresentações de trabalhos. Alguns desses estudos apresentam experiências exitosas da aplicação da Saúde Digital no SUS. Para compreender mais sobre essas experiências, você pode acessar abaixo os trabalhos publicados nos anais do evento:

• Congresso Brasileiro de Informática em Saúde.

O Ministério da Saúde também promoveu um evento direcionado à Saúde Digital, o 1º Simpósio Internacional de Transformação Digital no SUS. Foram dois dias de evento com o público composto por gestores, pesquisadores e profissionais do SUS, contando com oficinas sobre a RNDS, Interoperabilidade e o Padrão HL7 FHIR e o uso de dados administrativos para pesquisa populacional. Para saber mais sobre o evento e ter acesso às gravações dos dois dias, acesse:

• Ministério da Saúde promove primeiro Simpósio Internacional de Transformação Digital no SUS.


Considerações finais

As situações dos profissionais da saúde apresentadas ao longo deste material ilustram as diversas maneiras pelas quais a Saúde Digital pode ser aplicada na rede de assistência do SUS. Essas narrativas demonstram o uso prático das ferramentas Telemedicina, Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), Meu SUS Digital (antigo Programa Conecte SUS), Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde (e-SUS APS) e Inteligência Artificial (IA).

Vimos que a Saúde Digital é crucial para a modernização tecnológica e para o fortalecimento dos princípios do SUS. A pandemia de covid-19 evidenciou essa importância, com o uso da Saúde Digital para integrar dados de saúde, permitindo uma visão mais completa da situação dos usuários.

Para além das tecnologias, também aprendemos como o diagnóstico situacional é um ponto essencial no SUS, pois permite identificar problemas para, então, elaborar planos de ação eficientes. A história da gestora Francisca ilustra como a Saúde Digital, a partir de um diagnóstico, pode se tornar uma solução concreta para problemas reais, promovendo acesso, equidade e continuidade do cuidado. O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde: Informação e Saúde Digital (PET-Saúde Digital), por exemplo, é uma iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação, que foca na transformação digital do SUS, reunindo docentes e estudantes para a criação de soluções inovadoras e a discussão sobre o uso ético das tecnologias.

Além disso, vimos eventos como o Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS), promovido pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), e o Simpósio Internacional de Transformação Digital no SUS, realizado pelo Ministério da Saúde, também promovem o debate e a inovação na área. Esses eventos servem como plataformas para a apresentação de experiências bem-sucedidas e para a discussão de temas importantes, como a interoperabilidade e o uso de dados para pesquisa populacional.

Esperamos que você tenha compreendido as aplicações práticas da Saúde Digital na Rede de Assistência à Saúde (RAS)! A Saúde Digital não é apenas um conjunto de ferramentas, mas uma abordagem estratégica para enfrentar os desafios do SUS e fortalecer seus princípios. Considere esses princípios em sua trajetória!


Referências


1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual instrutivo SUS Digital: planos de ação. Brasília, DF: MS, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/... . Acesso em: 28 maio 2025.


2. DONIDA, B.; COSTA, C. A. da; SCHERER, J. N. Making the covid-19 pandemic a driver for digital health: Brazilian strategies. JMIR Public Health and Surveillance, v. 7, n. 6, e28643, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.2196/... . Acesso em: 02 jul. 2025.


Créditos


Secretaria de Informação e Saúde Digital – SEIDIGI
Ana Estela Haddad

Coordenação do Projeto
Paola Trindade Garcia

Coordenação-Geral da UNA-SUS/UFMA
Elza Bernardes Ferreira

Elaboração de conteúdos e atividades
Francenilde Silva de Sousa

Validação Pedagógica
Isabelle Aguiar Prado

Validação Técnica - SEIDIGI
Ana Estela Haddad
Maria Aparecida da Silva

RECURSOS EDUCACIONAIS

Identidade Visual
Jackeline Mendes Pereira

Design Instrucional
Steffi Greyce de Castro Lima

Design Gráfico
Priscila Penha Coelho

Revisão Textual
Talita Guimarães Santos Sousa

Homologação no AVA
Alessandra Viana Natividade Oliveira
Francisco Vinicius de Lima Menezes
Tiana Santos Soeiro

Tecnologia da Informação
Kleydson Beckman Barbosa

COMO CITAR ESTE MATERIAL


SOUSA, Francenilde Silva de. Aplicações da Saúde Digital no SUS. São Luís, MA: UFMA; SEIDIGI/MS, 2025. 08p. Material digital elaborado para o curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem SIAII/SEIDIGI.


©2025 Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde & Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.


Aula 05 - Desafios, perspectivas e tendências da Saúde Digital no SUS

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Você sabia que a transformação digital na saúde é um movimento global que já está em curso no Brasil? O Sistema Único de Saúde (SUS) tem um papel central nessa mudança! Compreender os desafios, as perspectivas e as tendências da Saúde Digital é essencial para que profissionais, gestores e usuários se tornem protagonistas de um cuidado mais eficiente, inclusivo e tecnológico.

Nesta aula, você encontrará reflexões fundamentais sobre infraestrutura, formação profissional, interoperabilidade, segurança da informação, regulamentação, engajamento digital e monitoramento de tecnologias em saúde.

Além disso, vamos discutir tendências que apontam para um futuro com um sistema público de saúde integrado, como: o uso de big data, a Inteligência Artificial (IA), a Realidade Virtual (RV), a Realidade Aumentada (RA) e soluções centradas no usuário. Tudo isso sem perder de vista o compromisso com a equidade, a ética e a sustentabilidade!


OBJETIVO DE APRENDIZAGEM

Ao final desta aula, esperamos que você consiga entender os desafios para a implementação da Saúde Digital no SUS, bem como as tendências e as inovações para sua consolidação no cuidado em saúde.

Desafios na implementação da Saúde Digital no SUS

Apesar dos significativos avanços, a consolidação da Saúde Digital no SUS ainda enfrenta barreiras estruturais, técnicas e culturais. Essas barreiras precisam ser superadas, pois afetam o acesso digital de profissionais, gestores e usuários1. Quais são, afinal, os principais obstáculos enfrentados e o que tem sido feito para superá-los? A seguir, compreenda alguns desses desafios e as ações que o Ministério da Saúde tem implementado para fortalecer a Saúde Digital em todo o País.

Infraestrutura tecnológica

Os desafios relacionados à conectividade e à posse de dispositivos digitais afetam tanto usuários quanto profissionais, especialmente em áreas remotas e vulneráveis. Isso compromete a consolidação da Saúde Digital nessas áreas e agrava desigualdades sociais locais preexistentes — fatores que compõem os chamados determinantes digitais em saúde2.

Fonte: Cristine Rochol/PMPA.

Para amenizar esses desafios, os investimentos em infraestrutura de conectividade, priorizando regiões de baixa densidade tecnológica, vêm sendo colocados em prática através de diversos programas (a exemplo do Informatiza APS e do SUS Digital). Essas iniciativas possibilitam a aquisição de equipamentos essenciais e de rede de internet para unidades de saúde, promovendo a inclusão digital.

Formação de recursos humanos para a Saúde Digital

Instituições como a OPAS e pesquisadores destacam a necessidade de profissionais da saúde utilizarem tecnologias com ética e criticidade, além de dominarem o Prontuário Eletrônico e a Telessaúde. Essas pesquisas também enfatizam a importância da compreensão de gestores sobre análises de dados populacionais, sobre segurança da informação e sobre avaliação de tecnologias. Já para os profissionais de Tecnologia da Informação (TI), é apontado como fundamental o conhecimento da infraestrutura digital, da interoperabilidade e da segurança cibernética.

Investir em educação continuada em Saúde Digital fortalece competências profissionais e melhora o uso das tecnologias. Clique nas abas abaixo para saber mais.

Educação permanente e continuada

Apesar dessas orientações, muitos profissionais ainda não foram formados para enfrentar esses desafios. Por isso, é fundamental investir em educação permanente e continuada, a fim de fortalecer: domínios (áreas de conhecimento e atuação fundamentais para o exercício profissional); habilidades (capacidades práticas, técnicas e interpessoais necessárias para o uso cotidiano das tecnologias em saúde); e competências (conjunto integrado de conhecimentos, atitudes e habilidades que capacitam o profissional a atuar com efetividade em contextos digitais).

Esses três elementos afetam a qualidade do cuidado, a gestão e o uso eficaz dos sistemas.

Ampliação do acesso a formações

O Ministério da Saúde tem realizado parcerias com instituições de ensino para ampliar o acesso a programas de formação em Saúde Digital. É o caso deste curso! Esta formação é resultado de uma parceria com a Universidade Aberta do SUS vinculada à Universidade Federal do Maranhão.

Além dessas colaborações, existe o estímulo à criação de cursos híbridos, especializações, mestrados e doutorados em áreas-chave, como informática em saúde e análise de dados clínicos — todos com certificações nacionais e incentivo à formação de formadores.

PARA REFLEXÃO

Sabendo que em Saúde Digital, domínios representam as áreas de conhecimento e atuação fundamentais para o exercício profissional, as habilidades correspondem às capacidades práticas, técnicas e interpessoais necessárias para o uso cotidiano das tecnologias em saúde e as competências formam o conjunto integrado de conhecimentos, atitudes e habilidades que capacitam o profissional a atuar com efetividade em contextos digitais, você acha que a sua formação atual permite que você:

• Use, manipule dispositivos móveis para monitoramento de usuários, opere sistemas de informação em saúde ou prontuários eletrônicos e/ou utilize tecnologias digitais com segurança?

• Contribua com soluções digitais centradas no usuário, desenvolva sistemas interoperáveis e/ou atue como segurança cibernética?

• Gerencie grandes volumes de dados, assegure a proteção das informações em saúde e/ou interprete dados com eficiência na Saúde Digital?

• Esteja preparado para se comunicar de forma efetiva em ambientes digitais colaborativos? Preparado ou não, este curso pode ser um bom ponto de partida.

Você pôde reconhecer alguns dos principais desafios relacionados à infraestrutura tecnológica e à formação de recursos humanos em Saúde Digital. Agora, vamos conhecer outros obstáculos.

Interoperabilidade e padronização de dados digitais em saúde


O fato de estabelecimentos de saúde públicos utilizarem uma grande variedade de sistemas com linguagens, estruturas de dados e padrões distintos dificulta a comunicação entre eles. Isso impede a integração dos dados de saúde, causando fragmentação do cuidado e lentidão no compartilhamento de informações entre serviços de saúde8.

Por isso, tem sido promovido o uso de padrões nacionais e internacionais para facilitar a integração e o compartilhamento seguro das informações. Um exemplo é o HL7 FHIR (sigla em inglês para Fast Healthcare Interoperability Resources), um padrão internacional que permite que diferentes sistemas “falem a mesma língua” por meio de interfaces. Além dele, temos a padronização de termos clínicos da saúde por meio da CID-11, do Registro de Terminologias em Saúde (RTS) e de outros sistemas de referência, com a finalidade de garantir consistência e comparabilidade. Todas essas ações visam ao fortalecimento da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Segurança da informação e proteção de dados em saúde

Fonte: onlyyouqj. Freepik.

Segurança Digital Recursos estratégicos Segurança cibernética
O aumento da coleta e da circulação de dados sensíveis exige medidas rigorosas de segurança digital, sob risco de violação de privacidade, perda de confiança do usuário e descumprimento da LGPD8,9. A utilização de recursos estratégicos (a exemplo de criptografia, autenticação em múltiplos fatores, controle de acessos e rastreabilidade dos dados) com base na LGPD será mantida e fortalecida. Além disso, a inclusão de segurança cibernética em formações de profissionais e gestores promove a proteção de dados pessoais digitais.

Regulamentação e ética em Saúde Digital

É indispensável refletir que tecnologias digitais estão em constantes atualizações. Dessa forma, marcos legais e regulamentadores podem ficar defasados de forma rápida.

Desafio para uso seguro e ético

A defasagem desses marcos dificulta o uso seguro, ético e equitativo das tecnologias, aumentando o risco de discriminação algorítmica e os usos indevidos de dados em saúde.

Estratégias para reduzir riscos

As atualizações e buscas por consolidações na legislação nacional sobre telessaúde, consentimento informado e direitos digitais dos usuários e outras atitudes visam reduzir cada vez mais esse problema.

Projeto de Lei n.º 2.338/2023

O Projeto de Lei de n.º 2.338, de 3 de maio de 2023, que dispõe sobre o uso da IA no Brasil, é um exemplo dessa busca por regulamentação e ética na Saúde Digital.


Até o momento, discutimos sobre: infraestrutura tecnológica, formação de recursos humanos em Saúde Digital, interoperabilidade e padronização de dados digitais em saúde, segurança da informação e proteção de dados digitais em saúde e regulamentação e ética em Saúde Digital. A seguir, veremos mais dois pontos importantes para a implementação da Saúde Digital no SUS:

Engajamento digital dos usuários

O engajamento de usuários pode estar associado a dificuldades enfrentadas no uso de serviços digitais. Essas dificuldades podem ser causadas por analfabetismo digital, pela desconsideração de aspectos sociais e culturais ou pela ausência de suporte técnico de fácil acesso ao usuário11.

Um caminho a ser trilhado é a utilização de recursos que promovam princípios de usabilidade (termo que se refere à facilidade com que uma pessoa interage com algo) e uma linguagem clara. Além disso, deve-se considerar as particularidades locais dos territórios dos usuários, especialmente de grupos vulneráveis, como idosos, pessoas com deficiência, indígenas e quilombolas.

img3.pngFonte: Freepik. freepik.

O uso do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG), um recurso norteador para o desenvolvimento e para a adaptação de conteúdos digitais em portais governamentais, é um exemplo disso.

Monitoramento e avaliação de tecnologias digitais em saúde

A deficiência de mecanismos padronizados para monitoramento e avaliação da efetividade, usabilidade e efeito de soluções digitais nos serviços de saúde também pode afetar o uso efetivo da Saúde Digital.

1 - O Ministério da Saúde tem promovido ações que possibilitam a prática de metodologias participativas de avaliação, envolvendo diferentes atores do sistema de saúde. 2 - Essas metodologias incluem a participação de usuários, profissionais e gestores, garantindo uma avaliação mais ampla e colaborativa. 3 - Além disso, utilizam indicadores e índices de referência, como o Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital (INMSD), para aperfeiçoar o monitoramento e a avaliação.

Perspectivas e tendências para a Saúde Digital no SUS

A Saúde Digital está transformando o nosso sistema de saúde, impactando desde a integração de sistemas e a segurança de dados até o fortalecimento do papel do paciente como protagonista e a adoção de tecnologias emergentes. Assista ao vídeo abaixo e descubra as inovações tecnológicas que estão contribuindo para a construção de um SUS mais equitativo, eficiente e alinhado às necessidades dos usuários.

Perspectivas e tendências para a Saúde Digital no SUS

A Saúde Digital está transformando o SUS, tornando-o mais eficiente, inclusivo e seguro por meio de tecnologias inovadoras, integração de sistemas e protagonismo do usuário.

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Transcrição do Video

[Vinheta de abertura]

Perspectivas e tendências para a Saúde Digital no SUS

A transformação digital no SUS é uma realidade em construção, que está sendo impulsionada por diversas políticas públicas, por inovações tecnológicas e pela crescente demanda por serviços mais acessíveis, resolutivos, sustentáveis e integrados. Analisar as perspectivas e tendências é essencial para que profissionais, gestores e usuários se situem diante dessa transformação.

Vale ressaltar que a aplicação da Saúde Digital no SUS, além de moldar o futuro da saúde no País, está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — especialmente ao terceiro objetivo, que se refere à saúde e ao bem-estar. Por meio da incorporação de tecnologias digitais, é possível promover diversas intervenções inovadoras nos serviços de saúde. Elas contribuem para o alcance de um sistema público de saúde mais equitativo, integrado, sustentável, inclusivo e eficiente.

Mas, afinal, como essas inovações chegam até os usuários do SUS? Como elas podem melhorar o cuidado na prática? É isso que vamos explorar agora, apresentando outras perspectivas e tendências que resultarão em melhorias na saúde dos usuários do SUS.

A Saúde Digital no SUS deve ser estrategicamente inclusiva e equânime. Ela deve proporcionar soluções tecnológicas adaptadas às variações linguísticas e culturais da sociedade, respeitando sua diversidade e suas diferentes realidades. Nesse sentido, o uso de interfaces acessíveis é fundamental para atender públicos com diferentes níveis de letramento digital, incluindo as Pessoas com Deficiência.

A consolidação da Saúde Digital requer um ambiente inovador, colaborativo, sustentável a longo prazo e disponível aos diversos setores da sociedade. Isso inclui o fomento à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, o PD&I: um incentivo à produção nacional de soluções digitais adaptadas ao SUS.

A formação desse ecossistema deve ser articulada entre as três esferas governamentais (federal, estadual e municipal), as universidades, a sociedade e até as organizações internacionais.

Para garantir a interoperabilidade, também são elementos indispensáveis: a adoção de modelos de inovação aberta com a realização de testes-piloto, o uso de repositórios públicos de software em saúde e a consolidação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Segundo o Ministério da Saúde, em publicações oficiais de 2020, também será estimulado o uso de softwares livres e de soluções tecnológicas escaláveis e compatíveis com os recursos e com as realidades locais, respeitando as diretrizes e as normas nacionais vigentes.

O futuro da Saúde Digital no SUS coloca o usuário como protagonista do cuidado, atribuindo autonomia e participação ativa no controle da própria saúde. Assim, há o intuito de fortalecer a educação popular em saúde com o uso de tecnologias digitais direcionadas à prevenção. Temos, como exemplo, os lembretes essenciais (como o de vacinação), as calculadoras de riscos de doenças e de agravos e a disseminação de orientações de hábitos saudáveis.

Você já imaginou como o SUS seria se funcionasse com todos os seus sistemas realmente integrados? Há grande expectativa de existir uma base sólida de mecanismos eficientes de interoperabilidade.

Dessa forma, persiste o uso de padrões nacionais para que os sistemas atuais e futuros sejam compatíveis entre si. Isso consolida a RNDS como plataforma unificada e segura de dados dos usuários.

De acordo com Bertotti e Blanchet, a implementação de sistemas interoperáveis possibilita o uso estratégico dos dados, podendo contribuir para tomadas de decisões clínicas e gerenciais, além de promover eficiência e qualidade no cuidado.

A transformação digital permanecerá baseada na proteção dos dados pessoais e na construção de uma relação de confiança com a sociedade.

Para isso, será essencial a manutenção da aplicação rigorosa da LGPD, bem como o cumprimento de futuras diretrizes em relação à confiabilidade, à proteção e à segurança de dados em saúde.

Investimentos contínuos em cibersegurança, auditorias independentes, criptografia de ponta e controle rigoroso de acessos são primordiais para garantir a integridade e a segurança dos sistemas.

As tecnologias emergentes são inovações em desenvolvimento, e a incorporação ao SUS representa um importante avanço!

O Projeto de Lei n.º 2.338, de 2023, propõe estabelecer os fundamentos, as diretrizes e os princípios para o desenvolvimento e para a aplicação da Inteligência Artificial no País. Após a regulamentação definida, é esperado que essa tecnologia emergente amplie o suporte à estratificação de riscos clínicos e preveja complicações gestacionais, Doenças e Agravos Crônicos Não Transmissíveis (DANTs) ou reinternações.

Já o uso de big data pode viabilizar análises de grande escala sobre o desempenho dos sistemas de saúde, orientando políticas públicas baseadas em evidências.

Além disso, o Ministério da Saúde e Chavegatto Filho apontam que a Realidade Virtual (RV) e a Realidade Aumentada (RA) devem desempenhar papel estratégico na formação de profissionais do SUS ao permitirem simulações próximas da prática real.

Esses são apenas alguns exemplos de como essas inovações emergentes estão sendo aplicadas na saúde pública. Elas serão ainda mais utilizadas após fase de amadurecimento tecnológico!

Você consegue imaginar como o SUS pode evoluir com esses avanços tecnológicos? É um caminho para um sistema de saúde mais acessível. Ficamos por aqui. Esperamos que você esteja disposto(a) a aprender sobre esse universo.

Bons estudos!

[Vinheta de encerramento]


Considerações finais

Chegamos ao final da Aula 07 “Desafios, perspectivas e tendências da Saúde Digital no SUS”!

Vimos como a jornada de transformação digital no SUS, embora repleta de desafios, demonstra um compromisso inequívoco com a inovação e a melhoria contínua da saúde pública brasileira. Trata-se de um caminho que exige visão estratégica, investimento contínuo e, sobretudo, o engajamento de cada profissional envolvido!

A digitalização da saúde exige conhecimento técnico e sensibilidade social. Exatamente por isso, o profissional do SUS tem papel crucial nesse processo: a partir de sua prática cotidiana, é possível identificar e explorar as potencialidades, os desafios e as ações em andamento.

A superação das barreiras de infraestrutura, a qualificação dos profissionais, a garantia da interoperabilidade e a segurança dos dados são os pilares estruturais para a implementação da Saúde Digital no SUS.

Esperamos que você tenha compreendido quais são os principais desafios para a implementação da Saúde Digital no sistema público de saúde, bem como as tendências e as inovações emergentes para consolidá-la.


Referências


1. INSTITUTO DE ESTUDOS PARA POLÍTICAS DE SAÚDE; INSTITUTO VEREDAS. Desafios da Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028. Rio de Janeiro: Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, 2023. Disponível em: https://ieps.org.br/... . Acesso em: 28 maio 2025.

2. CHIDAMBARAM, S. et al. An introduction to digital determinants of health. PLOS Digital Health, v. 3, n. 1, e0000346, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1371/... . Acesso em: 02 jul. 2025.

3. LONGHINI, J.; ROSSETTINI, G.; PALESE, A. Digital Health Competencies Among Health Care Professionals: Systematic Review. Journal of Medical Internet Research, v. 24, n. 8, e36414, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.2196/... . Acesso em: 02 jul. 2025.

4. PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION. Competence map on information systems and digital health for public health workers: a framework based on knowledge, skills and experiences necessary to develop functionally in the age of digital interdependence. Washington, DC: PAHO, 2024. Disponível em: https://iris.paho.org/... . Acesso em: 28 maio 2025.

5. DAL SASSO, G. T. M. D. et al. Domínios, competências e habilidades em informática em saúde e saúde digital: análise documental. Journal of Medical Internet Research, v. 16, n.º 1, 2024. Disponível em: https://jhi.sbis.org.br/... . Acesso em: 13 ago. 2025.

6. GASPAR, J. S. et al. Ensino de Saúde Digital no Brasil: estado da arte dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu. Journal of Health Informatics, v. 16, n.º esp., 2024. Disponível em: https://doi.org/10.59681/... . Acesso em: 02 jul. 2025.

7. MODESTO, L. J. B. et al. Prospecção de Cursos em Saúde Digital no Brasil. Journal of Health Informatics, v. 15, n.º esp., 2023. Disponível em: https://doi.org/10.59681/... . Acesso em: 02 jul. 2025.

8. BARBALHO, I. M. P. et al. Electronic health records in Brazil: prospects and technological challenges. Frontiers in Public Health, v. 10, e10:963841, 2022. Disponível em: https://www.frontiersin.org/... . Acesso em: 13 ago. 2025.

9. BERTOTTI, B. M.; BLANCHET, L. A. Perspectivas e desafios à implementação de Saúde Digital no Sistema Único de Saúde. International Journal of Digital Law, v. 2, n. 3, p. 93–111, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.47975/... . Acesso em: 02 jul. 2025.

10. GONÇALO, W. et al. Abordagens regulatórias na proteção de dados em saúde: uma revisão integrativa de 2018 a 2023. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 35, n.º 1, e350113, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/... . Acesso em: 02 jul. 2025.

11. MAQBOOL, B.; HEROLD, S. Potential effectiveness and efficiency issues in usability evaluation within digital health: A systematic literature review. Journal of Systems and Software, v. 208, n. February 2024, p. 1–98, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/... . Acesso em: 02 jul. 2025.


Créditos


Secretaria de Informação e Saúde Digital – SEIDIGI
Ana Estela Haddad

Coordenação do Projeto
Paola Trindade Garcia

Coordenação-Geral da UNA-SUS/UFMA
Elza Bernardes Ferreira

Elaboração de conteúdos e atividades
Francenilde Silva de Sousa

Validação Pedagógica
Isabelle Aguiar Prado

Validação Técnica - SEIDIGI
Ana Estela Haddad
Maria Aparecida da Silva

RECURSOS EDUCACIONAIS

Identidade Visual
Jackeline Mendes Pereira

Design Instrucional
Steffi Greyce de Castro Lima

Design Gráfico
Jackeline Mendes Pereira

Revisão Textual
Vitória Regina de Alencar Araújo

Homologação no AVA
Alessandra Viana Natividade Oliveira
Francisco Vinicius de Lima Menezes
Tiana Santos Soeiro

Tecnologia da Informação
Kleydson Beckman Barbosa

COMO CITAR ESTE MATERIAL


SOUSA, Francenilde Silva de. Desafios, perspectivas e tendências da Saúde Digital no SUS. São Luís, MA: UFMA; SEIDIGI/MS, 2025. 09p. Material digital elaborado para o Curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem SIAII/SEIDIGI.


©2025 Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde & Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.


Aula 06 - Saúde Digital no SUS: reflexões finais

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Chegamos ao final da formação “Introdução à Saúde Digital no SUS”. Conhecemos os principais fundamentos conceituais e normativos aplicados à Saúde Digital, compreendendo que ela vai além da informatização de processos. Vimos que se trata de uma transformação profunda na forma como os serviços de saúde são organizados, gerenciados e disponibilizados à sociedade, com foco na melhoria do cuidado, na ampliação do acesso e na qualificação das ações no SUS.

Agora, vamos consolidar nossos conhecimentos e refletir sobre o papel estratégico da Saúde Digital na construção de um sistema de saúde mais eficiente, acessível e centrado nos usuários. No podcast a seguir, você vai reconhecer os temas centrais abordados até aqui. Este material é um convite para que você siga nessa jornada formativa e atue de forma comprometida com a inovação em saúde pública.

Para isso, a autora deste conteúdo, Prof.ᵃ Francenilde Silva de Sousa (UFMA), retorna e nos apresenta uma síntese dos principais pontos abordados nessa primeira parte da Formação em Saúde Digital no SUS.

Ouça agora o áudio “Saúde Digital no SUS: reflexões finais” e siga ampliando sua compreensão sobre os caminhos da transformação digital no SUS.

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Saúde Digital no SUS: reflexões finais

 

Neste recurso, a Prof.ª Dr.ª Francenilde Silva de Sousa destaca os temas centrais que foram aprofundados ao longo da formação.

Transcrição do Áudio

[Vinheta de abertura]

Olá! Chegamos ao final da primeira parte da especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde. Eu sou a professora Francenilde Sousa. Iremos destacar os principais tópicos abordados e algumas considerações finais sobre o tema.

Vamos lá?

Ao longo desse conteúdo, buscamos construir uma visão ampla e crítica sobre o que é, afinal, a Saúde Digital, compreendendo que ela vai muito além do uso de tecnologias digitais. Falamos de um processo transformador, que atravessa as práticas do cuidado, as formas de gestão, as políticas públicas e o próprio modo como as pessoas se relacionam com os serviços de saúde.

Discutimos o que são as Tecnologias Digitais de Informação e Conectividade e como elas se relacionam com a Saúde Digital. Essas definições foram apresentadas de forma integrada a exemplos das aplicações no cotidiano do Sistema Único de Saúde, para que você pudesse visualizar como esse processo já está em curso em diversas realidades do sistema público de saúde.

Falamos sobre fundamentos conceituais da Saúde Digital, diferenciando-a de outros termos, a exemplo de: Informática em Saúde, Telessaúde, Saúde Móvel e saúde eletrônica. Apresentamos definições da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde, que reforçam buscar melhorias na saúde a partir da centralidade do cuidado, da garantia do acesso, da equidade e da qualidade dos serviços, com uso intencional de tecnologias digitais.

Também revisitamos os principais marcos legais e regulatórios que têm estruturado essa transformação digital no Sistema Único de Saúde, desde a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde até ao Programa SUS Digital e a institucionalização da Secretaria de Informação e Saúde Digital, a SEIDIGI.

Entre os pontos de aprendizagem mais importantes, destacamos:

Nessa primeira parte, também refletimos sobre os desafios que ainda precisam ser enfrentados na implementação da Saúde Digital no país, tais como as desigualdades de acesso à tecnologia, conectividade limitada, carência de formações específicas, dificuldades com a interoperabilidade entre os sistemas e preocupações com a segurança da informação. E, justamente por isso, contamos com a sua presença nesta formação.

A Saúde Digital não é um fim em si mesma, ela é uma ferramenta para qualificar o cuidado, fortalecer o Sistema Único de Saúde e garantir que ninguém fique de fora nesse processo.

Espero que esta primeira parte do conteúdo tenha despertado em você o desejo de se aprofundar neste tema, de reconhecer o seu lugar nessa transformação e de engajar na construção de uma saúde mais conectada, resolutiva e humana.

Bons estudos!

[Vinheta de encerramento]


Créditos


Secretaria de Informação e Saúde Digital – SEIDIGI
Ana Estela Haddad

Coordenação do Projeto
Paola Trindade Garcia

Coordenação-Geral da UNA-SUS/UFMA
Elza Bernardes Ferreira

Elaboração de conteúdos e atividades
Francenilde Silva de Sousa

Validação Pedagógica
Isabelle Aguiar Prado

Validação Técnica - SEIDIGI
Ana Estela Haddad
Maria Aparecida da Silva

RECURSOS EDUCACIONAIS

Identidade Visual
Jackeline Mendes Pereira

Design Instrucional
Camila Cantanhede Vieira

Design Gráfico
Jackeline Mendes Pereira

Revisão Textual
Talita Guimarães Santos Sousa

Homologação no AVA
Alessandra Viana Natividade Oliveira
Francisco Vinicius de Lima Menezes
Tiana Santos Soeiro

Tecnologia da Informação
Kleydson Beckman Barbosa

COMO CITAR ESTE MATERIAL


SOUSA, Francenilde Silva de. Saúde Digital no SUS: reflexões finais. São Luís, MA: UFMA; SEIDIGI/MS, 2025. 03p. Material digital elaborado para o curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem SIAII/SEIDIGI.


©2025. Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde & Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.


Livro do módulo - Introdução à Saúde Digital

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Apresentamos a você um material com a reunião de todo o conteúdo educacional estudado ao longo do Módulo “Introdução à Saúde Digital”. Elaborado como fonte de consulta e apoio, este livro possibilita revisitar os conceitos fundamentais estudados, aprofundar conhecimentos e servir como suporte à prática profissional no campo da Saúde Digital.

Esperamos que este material constitua um recurso de apoio relevante, favorecendo a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos no contexto profissional.

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Introdução à Saúde Digital

 

Neste material, você encontrará uma visão inicial sobre a Saúde Digital. Ao concluir a leitura, será possível compreender seu conceito, refletir sobre as formas de aplicação no SUS e conhecer sua evolução no Brasil.

 

Livro do módulo - Introdução a Saúde Digital.pdf