Ir para o conteúdo principal

Papel da Enfermagem (Escuta Inicial + ECG)

Nesta etapa ocorre a organização clínica inicial do paciente cardiológico. A Escuta Inicial é obrigatória para todos os pacientes que passarão pelo atendimento de Cardiologia dentro da OCI, pois é ela que habilita o paciente a realizar o eletrocardiograma e sinaliza ao médico que a etapa prévia foi concluída.

A Enfermagem é responsável por registrar corretamente o motivo da consulta, sinais vitais, antropometria, priorização e o procedimento preparatório para o ECG, garantindo a segurança clínica e a padronização assistencial.


1. Entrada do Paciente e Acompanhamento da Fila

Todos os pacientes de Cardiologia, independentemente do CID final, devem entrar pela Recepção.
Durante o período de atendimentos, deve haver um técnico de enfermagem acompanhando a fila do cardiologista.

Quando o paciente aparecer na fila da especialidade, o técnico deve:

  1. Abrir a Escuta Inicial.

  2. Iniciar o registro estruturado.

  3. Encaminhar o paciente para a realização do ECG.

Esta etapa é obrigatória e antecede qualquer atendimento médico.


2. Registro da Escuta Inicial no Sistema

A Escuta Inicial deve ser preenchida utilizando os seguintes parâmetros padronizados:

2.1 Registro CIAP2

Motivo da consulta:

  • CIAP2 – 42 (Eletrocardiograma)

O motivo da consulta textual pode ser descrito livremente pela técnica de enfermagem, conforme o relato do paciente ou justificativa clínica da unidade.


3. Preenchimento dos Campos Estruturados

Todos os campos estruturados da Escuta Inicial devem ser preenchidos. Estes dados são essenciais para a análise do cardiologista e fortalecem o modelo assistencial orientado por problemas.

3.1 Antropometria

  • Peso

  • Altura

  • IMC (campo calculado ou preenchido automaticamente, se aplicável)

3.2 Sinais Vitais

  • Frequência cardíaca

  • Pressão arterial

  • Frequência respiratória

  • Saturação

  • Temperatura

3.3 Exames de Enfermagem

  • Glicemia capilar (quando aplicável ou quando o protocolo local indicar)

Esses campos aparecem na tela da Escuta Inicial da mesma forma que aparecem no PEC de Atenção Básica, mantendo o mesmo padrão de registro estruturado.


4. Priorização do Atendimento (Obrigatória)

A priorização não é uma classificação de risco, embora utilize cores.
Para a OCI Cardiologia, deve ser utilizada exclusivamente a priorização:

  • Azul – Não aguda

O uso desta classificação padroniza o fluxo e diferencia os atendimentos OCI de outras demandas de urgência.


5. Procedimentos Extras da Enfermagem

Na etapa de Escuta Inicial, deve ser registrado o procedimento:

  • 0301040079 – Preparação para o eletrocardiograma

Esse procedimento garante o correto registro e contabilização das ações da enfermagem relacionadas ao preparo para o exame.


6. Encerramento da Escuta Inicial

Após o preenchimento completo:

  1. Informar no sistema que o paciente não está liberado.

  2. Salvar a Escuta Inicial.

  3. Encaminhar o paciente imediatamente para a realização do ECG.

Ao salvar, o sistema exibirá o ícone de “Escuta Inicial realizada” na fila do cardiologista. Este ícone é o indicativo visual utilizado pelo médico para chamar apenas os pacientes que já completaram essa etapa.


7. Realização do ECG

Após a Escuta Inicial:

  • A Enfermagem deve realizar o eletrocardiograma conforme os protocolos da unidade.

  • O exame deve estar concluído antes do paciente retornar à fila médica.

  • O ECG deve ficar disponível para análise do cardiologista.

O exame não é registrado como procedimento separado no sistema nesta etapa; o lançamento do procedimento específico ocorre na consulta médica.


8. Importância da Escuta Inicial para o Fluxo da OCI

A Escuta Inicial:

  • Padroniza a abordagem clínica antes da consulta.

  • Garante que o ECG foi solicitado, preparado e realizado.

  • Organiza a fila, evitando chamadas indevidas pelo cardiologista.

  • Melhora a segurança clínica e reduz riscos.

  • Alinha o processo assistencial ao modelo de cuidado estruturado.

Sem a Escuta Inicial, o paciente não deve ser chamado pelo cardiologista.