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Aula 01 - Iniciando a jornada pela Saúde Digital

A Saúde Digital tem sido bastante discutida entre vocês, profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), e isso é uma das consequências dos avanços das Tecnologias Digitais de Informação e Conectividade (TDICs) no sistema público de saúde brasileiro. Você provavelmente deve ter ouvido ou lido algo sobre, mas já parou para refletir o que é e como a Saúde Digital pode ser aplicada no SUS?

Embora possua um conceito bastante abrangente, que permanece sendo ressignificado à medida que novas tecnologias e compreensões são desenvolvidas e incorporadas, o objetivo dela sempre será o de utilizar tecnologias digitais para proporcionar melhorias na saúde dos indivíduos. Dessa forma, também é interessante conhecer a história e as normativas envolvidas nesta área, bem como refletir sobre seus avanços e dificuldades, não acha?

No podcast "Iniciando a jornada pela Saúde Digital", você terá acesso a uma introdução à Saúde Digital. Ao longo do episódio, vamos dialogar sobre:


  1. Fundamentos da Saúde Digital e sua trajetória no Brasil, compreendendo os marcos legais e institucionais que estruturam essa transformação;
  2. Utilização das tecnologias digitais nos diferentes níveis de atenção à saúde, por meio de experiências e exemplos práticos;
  3. Principais desafios enfrentados na implementação da Saúde Digital, como a infraestrutura, a formação dos profissionais, a interoperabilidade entre sistemas e a segurança dos dados;
  4. Perspectivas futuras e as tendências que prometem impulsionar ainda mais a inovação no SUS, sempre com foco na equidade, na acessibilidade e na participação social.

O objetivo é ampliar sua compreensão sobre o papel estratégico da Saúde Digital e inspirar sua atuação como profissional engajado na construção de um sistema de saúde mais eficiente, inclusivo e centrado no cuidado humano.

No podcast abaixo, a Prof.ª Dr.ª Francenilde Silva de Sousa apresenta um panorama introdutório sobre a Saúde Digital no SUS, destacando os principais eixos temáticos que serão aprofundados ao longo da formação.



Transcrição do Áudio

[Vinheta de abertura]

[Mediadora]: Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda. Está começando o nosso Podcast “Iniciando a Jornada pela Saúde Digital”, uma produção do curso de Especialização em Saúde Digital no SUS. Neste encontro, vamos conversar sobre os fundamentos da Saúde Digital e o porquê ela se tornou tão essencial para os profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde. Eu sou Camila Cantanhede e para esta conversa recebemos a professora Francenilde Silva de Sousa, autora do módulo Introdução à Saúde Digital e pesquisadora em Saúde Coletiva. Seja muito bem-vinda, professora.

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Muito obrigada, Camila. Eu que agradeço o convite, esse momento de discussão sobre a Saúde Digital.

[Mediadora]: Professora, o termo Saúde Digital está cada vez mais presente nas políticas públicas e nas discussões sobre o SUS. Mas, afinal, o que é exatamente a Saúde Digital?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Bom, Camila, esse termo possui diversas conceituações, diversas definições. Mas para nos ater a uma resposta mais direta, nós podemos considerar a conceituação apresentada tanto pelo Ministério da Saúde como pela Organização Mundial da Saúde, que converge o conceito para o uso de tecnologias digitais com o intuito, com o objetivo de melhorar a saúde. Apresentando como muito além do uso de soluções tecnológicas, mas sim apresentar uma nova relação entre o usuário e os serviços, considerando, inclusive, a possibilidade de aplicar a metapresencialidade, que seria o uso de tecnologias digitais. Então, o cuidado, ele é ofertado fisicamente à distância, porém, ele está muito próximo devido à consideração de aspectos, de dimensões cognitivas, sociais, culturais e afetivas entre o usuário e o profissional.

[Mediadora]: E quando começamos a falar em Saúde Digital no contexto do SUS?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Embora tenha ocorrido uma disseminação massiva a partir da pandemia de covid-19, em 2020, podemos considerar como o marco regulatório e legal da Saúde Digital dentro do Sistema Único de Saúde, a partir da Política Nacional de Informação e Informática, que foi institucionalizada a partir da Portaria n.º 589, de 2015. Inclusive, houve uma atualização em 2021. E essa Portaria apresenta um conjunto de diretrizes e princípios do uso de tecnologias digitais dentro do Sistema Único de Saúde. Outros marcos relevantes da Saúde Digital dentro do SUS podem ser também considerados, como, por exemplo, a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, que estabeleceu direitos e deveres do uso de dados pessoais, inclusive em ambientes digitais. A Rede Nacional de Dados em Saúde, a RNDS, que busca, de certo modo, conseguir com que os diversos sistemas tenham um diálogo entre si, com uma base interoperável e que tenha um padrão, inclusive, entra aí a questão das tecnologias em saúde e tudo mais. Um outro ponto também extremamente relevante é a criação da SEIDIGI, que é a Secretaria Digital de Informação e Saúde Digital, que é uma governança dentro do Ministério da Saúde que fica à frente da Saúde Digital no Sistema Único de Saúde.

[Mediadora]: Agora, passando da teoria para a prática, como essas tecnologias digitais estão sendo utilizadas hoje na rotina do SUS?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Bom, Camila, é possível pensarmos em diversas situações na realidade do Sistema Único de Saúde. Os profissionais, inclusive, já aplicam e fazem a prática da Saúde Digital desde muito tempo, por exemplo, com o uso de sistemas de informação e saúde. O SIAPS, por exemplo, o Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde. Ao utilizá-lo, nós estamos colocando em prática a Saúde Digital. Um outro exemplo é o uso de tablets, que é um recurso tecnológico físico durante as visitas domiciliares, outra ação também realizada na APS. Um outro exemplo, a nível terciário da assistência à saúde, é o uso de sistemas que fazem análise de estoques de setores. Por exemplo, o uso de algum sistema que faz todo o gerenciamento de um estoque da farmácia, de um hospital ou de uma maternidade. Então, a gente consegue perceber que a Saúde Digital tem sido utilizada por inúmeros profissionais em diversos níveis de assistência à saúde. Ainda podemos citar o uso de painéis interativos, que permitem a gestão à vista. Então, a gente consegue perceber que a Saúde Digital pode ser e é aplicada por diversos profissionais, os que estão na assistência, os que possuem algum cargo de gestão e também pelos profissionais da Tecnologia da Informação.

[Mediadora]: Mesmo com tantos avanços, sabemos que os desafios são muitos. Quais os principais obstáculos para consolidar a Saúde Digital de forma efetiva e equitativa?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Verdade, Camila. Infelizmente, ainda existem alguns desafios que precisam ser superados. Dentre eles, nós podemos citar as dificuldades com infraestrutura e conectividade, em especial em áreas remotas. Um outro desafio está relacionado à formação e ao desenvolvimento de competências e habilidades dos profissionais que atuam no Sistema Único de saúde. Também podemos relembrar que, embora existam muitas ações para sanar esse desafio, ainda existe uma dificuldade com a interoperabilidade e padronização dos sistemas. E, por fim, ainda podemos citar a segurança da informação e a proteção dos dados sensíveis. Mas é relevante citar que o Ministério da Saúde tem implementado diversas ações, principalmente após o Programa Saúde Digital, que buscou implementar os planos de ação que foram realizados a partir da realidade notada pelos próprios gestores locais, com o intuito de atingir, de idealizar, colocar em prática, inclusive financiar ações que sejam realistas, que sejam viáveis de serem colocadas em prática.

[Mediadora]: Professora, e como os profissionais de saúde podem se preparar para esse novo cenário digital? O que o curso espera desenvolver nesse sentido?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Com esse movimento, é esperado, Camila, que haja um maior protagonismo do usuário do Sistema Único de Saúde. Fazer com que ele tenha mais autonomia, autocuidado, tenha acesso às suas informações e de qualidade. Também é esperado que haja ampliação da equidade digital, incluindo grupos vulnerabilizados. Também é esperada a expansão das tecnologias emergentes, como, por exemplo, da inteligência artificial, da realidade virtual, da realidade aumentada. Um outro ponto que é esperado é a inovação de forma colaborativa, fazer com que haja a disseminação de testes-pilotos, de códigos abertos, para que haja essa conversa e diálogo à distância, mas mediados pelas tecnologias. Também é esperado que haja educação permanente e discussão dentro da academia.

[Mediadora]: Professora, que mensagem final você deixaria para os profissionais que estão iniciando essa jornada pelo universo da Saúde Digital?

[Professora Francenilde Silva de Sousa]: Como mensagem final, eu gostaria de fazer um convite a todos para que se engajem na transformação digital, valorizando o papel de cada profissional como um sujeito ativo nesse processo. E, por fim, que vejam a Saúde Digital como uma ferramenta de qualificação do cuidado, que inclusive está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e também aos princípios do Sistema Único de Saúde.

[Mediadora]: E para você que nos acompanha, fica o convite: Vamos juntos nessa jornada de aprendizado e transformação! A Saúde Digital é para todos e está em constante construção. Explore os conteúdos, reflita sobre sua prática e pense em como pode contribuir com um SUS mais conectado, inclusivo e resolutivo. Até o próximo encontro!

[Vinheta de encerramento]

REFERÊNCIA

SOUSA, Francenilde Silva de. Iniciando a jornada pela Saúde Digital. São Luís, MA: UFMA; SEIDIGI/MS, 2025. 03p. Material digital elaborado para o curso Especialização em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem SIAII/SEIDIGI.

©2025. Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde & Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.



Aula 02 - Saúde Digital no SUS: conceitos, tecnologias e transformação na atenção à saúde

O avanço das tecnologias digitais tem transformado significativamente a forma como a saúde é concebida, ofertada e gerida em diferentes contextos. No Sistema Único de Saúde (SUS), essa transformação se materializa por meio da Saúde Digital — um conceito que vai além da simples adoção de tecnologias, envolvendo práticas, valores e modos de pensar o cuidado em saúde.

Neste recurso educacional, convidamos você a compreender melhor o que é a Saúde Digital, quais são seus pilares, as tecnologias envolvidas e as implicações dessa transformação para os profissionais e usuários do SUS.

Durante o percurso formativo, abordaremos o conceito de Saúde Digital a partir das definições da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde, destacando sua amplitude e complexidade. Também discutiremos os diferentes termos correlatos, como Informática em Saúde, Saúde Móvel, e-Saúde e Telessaúde, mostrando como todos eles se articulam dentro do escopo da Saúde Digital.

Além disso, exploraremos o papel das Tecnologias Digitais de Informação e Conectividade (TDICs) e a importância da conectividade para a construção de vínculos e a presença no cuidado e a contextualização histórica e normativa da Saúde Digital no SUS, incluindo os principais marcos legais e regulatórios que sustentam essa área, como leis, portarias, resoluções e normas técnicas.

Também será apresentada a atuação estratégica da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e de seus departamentos, bem como tecnologias como inteligência artificial, big data, interoperabilidade, plataformas de aprendizagem e o uso da robótica e impressão 3D. Este material, portanto, é um convite à reflexão crítica e ao engajamento com as inovações que moldam o futuro da saúde pública no Brasil.

OBJETIVO DE APRENDIZAGEM

A partir desse material, você será capaz de entender o conceito de Saúde Digital e a sua aplicação no contexto do SUS, bem como as principais Tecnologias Digitais de Informação e Conectividade (TDICs), além de identificar as principais legislações, normas regulamentadoras e instituições que apoiam a Saúde Digital no SUS.

O que é a Saúde Digital?


O conceito de Saúde Digital tem ganhado espaço nas discussões sobre os rumos da saúde pública. Nas imagens abaixo, conheça os conceitos de Saúde Digital preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde:


OMS.png

OMS

Fonte: Yann Forget. Wikimedia Commons.

Ministério da Saúde.png

Ministério da Saúde

Fonte: Brasil. Gov.br.

 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Saúde Digital é “o campo de conhecimento e prática associado ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias digitais para melhorar a saúde”1.

 

Já para o Ministério da Saúde, ela é um ”[...] conjunto de saberes, técnicas, práticas, atitudes, modos de pensar e valores relacionados ao uso de tecnologias digitais em saúde e ao crescimento do espaço digital”2.

 

Historicamente, outros termos têm sido utilizados para descrever aspectos da incorporação tecnológica em saúde e até costumam ser confundidos com o que é a Saúde Digital. Como exemplo de tais termos, temos: Informática em Saúde; Saúde Móvel (mHealth); Saúde Eletrônica ou e-Saúde (eHealth); e a Telessaúde. Vamos entender melhor sobre cada um desses termos?



 

Informática em Saúde

 

É uma área interdisciplinar que estuda e aplica as ciências da computação, informática e saúde, com foco no desenvolvimento técnico e sistemas, estruturas e padrões de dados3.

 

 

Saúde Móvel (mHealth)

 

Especifica o uso de dispositivos móveis (smartphonestabletsnotebooks e outros) para apoiar ações de saúde4.

 

 

Saúde Eletrônica ou e-Saúde (eHealth)

 

Diz respeito ao uso de tecnologias digitais para suporte a cuidados de saúde, com foco na informatização dos processos de trabalho2.

 

 

Telessaúde

 

É a oferta de serviços de assistência, apoio diagnóstico, educação permanente, promoção e prevenção em saúde por meio de tecnologias digitais5.

 

Todos esses termos fazem parte de uma dimensão da Saúde Digital, que implica uma evolução com abordagem mais integrada, interativa e centrada no usuário, buscando consolidar um novo paradigma no cuidado. Isso leva a novas formas de relação entre usuários e serviços, inclusive com a proposta da metapresencialidade, que idealiza o cuidado mediado por tecnologias para além de uma teleassistência, incorporando dimensões cognitivas, afetivas e sociais da interação em saúde. 


FIQUE ATENTO

A Saúde Digital não deve ser considerada apenas como soluções tecnológicas, mas sim como um fenômeno capaz de redefinir a centralidade do usuário no sistema público de saúde, possibilitando que ele seja o protagonista de sua trajetória de cuidado e considerando as relações humanas, sociais e culturais.

Assim, fica compreensível que a transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou a partir do uso estratégico das tecnologias digitais para impulsionar o desenvolvimento da saúde de forma sustentável e inclusiva, promovendo a inovação e o aumento da produtividade por meio da digitalização dos processos produtivos e da qualificação para atuar no ambiente digital.


Tal transformação exige alterações em5:

  • Conceitos;

  • Competências profissionais;

  • Mudanças organizacionais;

  • Marcos regulatórios;

  • Garantia de segurança, equidade e qualidade no cuidado.

O que é a Saúde Digital?

Dessa forma, ambos os conceitos de Saúde Digital propõem que ela possa ser compreendida como uma área que associa a aplicação de tecnologias digitais para proporcionar melhorias na saúde dos indivíduos e das coletividades. Percebe como é um conceito amplo? E, já que aborda as tecnologias digitais, você sabe o que elas são?

TDICs
Essas tecnologias são conhecidas como Tecnologias Digitais da Informação e Conectividade (TDICs), que têm sido integradas ao sistema público brasileiro e contribuído bastante com a qualidade dos serviços de saúde2.

As TDICs englobam recursos tecnológicos, físicos ou não, que permitem acessar, produzir, armazenar, compartilhar e comunicar informações.



FIQUE ATENTO

Na sigla TDICs, a substituição do termo mais frequente “comunicação” por “conectividade” foi preferida para dar ênfase nas formas complexas de presença, interação e vínculos que afetam o cuidado em saúde2. Inclusive, existe discussão e expansão do uso do termo Tecnologias de Informação e Conectividade (TICs) na saúde. Isso porque há a compreensão de que a comunicação humana vai além da operacionalização de sistemas e redes interligadas, envolve os aspectos relacionais, culturais e sociais da presença dos indivíduos nos processos de cuidado. 

A transformação digital no SUS representa a busca por uma mudança nos modelos de assistência à saúde, deslocando o foco de estruturas hierarquizadas e centradas no serviço para ações mais descentralizadas, contínuas e conectadas.

Soluções digitais

Nesse novo cenário, as soluções digitais são propostas potencializadas para: a ampliação do acesso a serviços de saúde; a integração dos pontos de atenção à saúde; o protagonismo do usuário em sua trajetória de cuidado; e a qualificação nas tomadas de decisões embasadas por evidências e que utilizem dados em tempo real.

Fotografia de um profissional da saúde utilizando um tablet, sobreposta por elementos gráficos referentes à área da saúde.

Fonte: Adaptado de Tima Miroshnichenko. Pexels.

A incorporação das tecnologias digitais no SUS, portanto, não é apenas uma modernização técnica, mas uma oportunidade de reorganizar práticas, relações e sentidos do cuidado em saúde coletiva no Brasil6.


PARA REFLEXÃO

Diante disso, você consegue perceber a importância das TDICs na área da saúde? Essas tecnologias possibilitam a melhoria da qualidade da atenção à saúde, eficiência no uso de recursos, ampliação do acesso aos serviços, integração de sistemas e empoderamento dos usuários. 

Clique nos itens da lista abaixo e veja exemplos de algumas tecnologias digitais utilizadas no SUS.


Sistemas de Informação em Saúde
Conjuntos de componentes que coletam, processam, armazenam e transmitem dados de saúde. Para gestores, além de utilizarem como ferramenta de Monitoramento & Avaliação em saúde, utilizam ainda como uma maneira de prestação de contas, uma vez que recursos financeiros federais são calculados a partir dos registros de Sistemas de Informação7.

Telessaúde
É o uso de recursos tecnológicos para atendimentos remotos, como consultas virtuais, acompanhamento de usuários à distância, disponibilização de serviços de saúde sem necessidade de deslocamento. Profissionais da saúde de áreas de difícil acesso podem fazer uso de modo a promover acesso aos usuários, reduzindo desigualdades sociais. A Telessaúde abrange teleconsultorias, teletriagem, telerregulação, telediagnóstico, teleinterconsulta, teleducação, teleorientação e telemonitoramento de diversas subáreas, a exemplo da telemedicina, telenfermagem, telefarmácia, teleodontologia e outras8.

Registros Eletrônicos em Saúde (RES), do inglês Electronic Health Record (EHR)
Possibilitam a integração de diferentes níveis de atenção à saúde por meio do armazenamento digital de informações de saúde, a exemplo do Prontuário Eletrônico. Nesses registros são incluídos histórico médico, resultados de exames, prescrições de medicamentos, diagnósticos, procedimentos realizados e afins. Os RES possibilitam que profissionais da saúde tenham histórico completo dos usuários9.

Robótica médica
É o uso de robôs na realização de determinados procedimentos médicos. No SUS, há exemplos do seu uso em cirurgias, para suporte funcional em reabilitação com próteses robóticas e para suporte remoto em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)10,11,12.

Impressão 3D na saúde
É a fabricação de dispositivos médicos que possibilitam a personalização à anatomia dos usuários, a exemplo de próteses, órteses e implantes, de modo a integrar inovação e assistência à saúde na reabilitação de usuários. Isso possibilita maior conforto, eficiência, rastreabilidade e segurança ao usuário13.

Interoperabilidade em saúde
É o conjunto de especificidades técnicas que possibilitem o compartilhamento seguro e padronizado de dados de saúde entre as diferentes esferas (federal, estadual e municipal) e os diversos níveis de saúde (primária, secundária e terciária). Os profissionais de TI devem fazer uso de informações e padrões em Saúde Digital para a viabilização da interoperabilidade14.

Big data
Conjunto de dados massivos que podem ser coletados, armazenados e analisados, visando garantir um ecossistema de inovação que aproveite ao máximo o ambiente de interconectividade em saúde. Podem gerar uma variedade de informações, possibilitando análises e percepções relevantes para os gestores e profissionais de saúde em seus respectivos contextos de atuação15.

Inteligência Artificial (IA)
É a utilização de algoritmos e sistemas avançados capazes de processar grandes volumes de dados. Utiliza-se o processamento de linguagem natural, técnica que permite um dispositivo eletroeletrônico compreender, interpretar e responder à linguagem humana de forma semelhante a quando é estabelecida uma comunicação e interpretação da linguagem humana. Profissionais da saúde podem otimizar seus atendimentos a partir do apoio da IA em diagnósticos por imagem e chatbots para triagem, Aprendizado de Máquina (do inglês Machine Learning) que realize predições por meio da identificação de padrões. Gestores podem utilizar painéis analíticos gerados por IA para monitoramento de indicadores, enquanto os profissionais de TI podem utilizá-la para mineração de dados e automatização de funções repetitivas16,17.

Internet das Coisas, do inglês Internet of Things (IoT)
É a integração de dispositivos conectados à rede de internet e a sistemas e um banco de dados em nuvem que permite coletar, armazenar e transmitir dados em tempo real. As tecnologias vestíveis estão incluídas neste termo. Marcapassos, pulseiras ou relógios que monitoram batimentos cardíacos, qualidade do sono e/ou pressão arterial, sensores em refrigeradores de armazenamento e/ou de transporte são alguns exemplos18.

Plataformas de aprendizagem, do inglês learning platforms
São ambientes digitais que intermedeiam o ensino e a educação permanente e continuada de profissionais de saúde por meio de recursos educacionais on-line, a exemplo de videoaulas, podcasts, webinários e outros19,20. O Ministério da Saúde possui diversas plataformas que contribuem para o processo de compartilhamento de saberes aos profissionais do SUS, a exemplo do Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (AVASUS); a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS); e o Campus Virtual de Saúde Pública, disponibilizado pela Organização Pan-Americana da Saúde, vinculada à Organização Mundial de Saúde (CVSP/OPAS).

Plataformas de código aberto, do inglês open-code platforms
São sistemas cujos códigos-fontes estão disponíveis para uso e compartilhamento ao público. Esses códigos-fontes são comandos feitos por humanos que permitem uma máquina traduzir o que, como e em que ordem fazer o que for solicitado. Desse modo, profissionais de TI podem fazer uso dessa tecnologia adaptável e transparente, ajustando funcionalidades conforme necessidades locais21. O Estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde (e-SUS APS) e o Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU) são exemplos de softwares livres e de código aberto cujos manuais estão disponíveis de fácil acesso a quem for necessário.

PARA REFLEXÃO

Você consegue perceber como a Saúde Digital possui um conceito abrangente? Ela engloba as tecnologias apresentadas, contudo, o conceito atual pode ser ressignificado à medida que novas tecnologias e compreensões das relações humanas são consolidadas, em busca de uma compreensão mais profunda que envolva o conjunto de saberes, técnicas e práticas que ultrapassem abordagens físicas, estruturais, operacionais e técnicas, orientando uma rearticulação política de ecossistemas de saúde e transversalidades6,22

Para além dessa aproximação com o conceito atual, que tal nos aproximarmos da trajetória da Saúde Digital no SUS?