Relatório de Demanda Reprimida
A Atenção Primária à Saúde exerce papel central na ordenação do acesso e na coordenação do cuidado no Sistema Único de Saúde. Conforme estabelece a Portaria GM/MS nº 9.262, de 30 de dezembro de 2025, a gestão das listas de espera deve ser permanente, compartilhada e articulada entre os pontos da Rede de Atenção à Saúde, especialmente com protagonismo da APS.
Embora a regulação seja responsável pela organização técnica da fila e pela classificação de prioridades, cabe às unidades de Atenção Primária acompanhar os usuários de seu território que aguardam consultas, exames e procedimentos especializados. Esse acompanhamento é fundamental para:
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Garantir a continuidade do cuidado.
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Identificar agravamentos clínicos durante o tempo de espera.
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Atualizar informações quando necessário.
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Monitorar o tempo de permanência na fila.
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Subsidiar planejamento local e organização da oferta.
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Promover maior transparência na gestão do acesso.
Nesse contexto, o Relatório de Demanda Reprimida de Procedimentos de Serviço, disponível no SISWEB, constitui ferramenta estratégica para os gestores da Atenção Primária, permitindo a visualização estruturada das solicitações pendentes vinculadas à sua unidade.
Este capítulo tem como objetivo orientar os gestores da Atenção Primária quanto à emissão e análise do relatório de demanda reprimida no SISWEB, fortalecendo a gestão territorial, a corresponsabilização pelo usuário e o monitoramento qualificado das listas de espera.
Acesso ao Relatório no SISWEB e Perfil de Permissão
O Relatório de Demanda Reprimida de Procedimentos de Serviço está disponível no SISWEB por meio do seguinte caminho:
Regulação > Relatórios > Relatório de Demanda Reprimida de Procedimentos de Serviço
Ao selecionar essa opção, o sistema direcionará o usuário para a tela de parametrização do relatório, onde poderão ser definidos os filtros necessários para emissão.
Por se tratar de informações sensíveis relacionadas às listas de espera e aos usuários vinculados à unidade, a emissão deste relatório está, inicialmente, vinculada exclusivamente ao perfil Gerente de Unidade, destinado aos coordenadores das unidades de saúde.
Essa definição tem como finalidade:
• Garantir responsabilidade institucional sobre os dados extraídos.
• Preservar a confidencialidade das informações.
• Assegurar que a utilização do relatório esteja alinhada às atribuições de gestão da unidade.
• Evitar uso inadequado ou compartilhamento indevido de informações.
Caso a unidade identifique necessidade de acesso para fins estritamente gerenciais, a solicitação deve seguir os fluxos institucionais vigentes para avaliação e autorização.
Parametrização do Relatório de Demanda Reprimida
Ao acessar o Relatório de Demanda Reprimida de Procedimentos de Serviço, o sistema apresentará a tela de filtros para parametrização da consulta.
[Inserir print da tela “Regulação - Relatórios - Fila da demanda reprimida de serviço”]
A tela possui diversos campos de filtro. No entanto, para emissão do relatório padrão da unidade, é necessário o preenchimento obrigatório dos seguintes campos:
Campos obrigatórios
Unidade Referência
O gestor deverá informar a própria unidade.
Como o objetivo é monitorar a demanda reprimida do seu território, basta selecionar a unidade sob sua coordenação.
Para fins de gestão na Atenção Primária, a extração do relatório não deve ser realizada pelo campo Município Solicitante ou Unidade Solicitante.
O relatório deve ser emitido utilizando o filtro Unidade de Referência.
Essa orientação está alinhada à Portaria GM/MS nº 9.262/2025, que estabelece:
• A APS como coordenadora do cuidado.
• A responsabilidade territorial pelo acompanhamento do usuário.
• A gestão compartilhada e permanente das listas de espera.
Embora exista historicamente a cultura de que a unidade que realiza a solicitação “cuida” da demanda, a diretriz normativa reforça que o acompanhamento deve estar vinculado à unidade de referência do paciente, ou seja, à unidade responsável pelo seu território e pela continuidade do cuidado.
Isso significa que:
• O usuário pertence ao território.
• A APS é responsável pelo acompanhamento longitudinal.
• A unidade de referência deve monitorar seus pacientes, independentemente de onde a solicitação foi emitida.
Essa mudança de perspectiva fortalece:
• O vínculo com o usuário.
• A responsabilidade sanitária territorial.
• A gestão qualificada da fila.
• A coordenação do cuidado pela APS.
Tipo de Serviço
Atualmente, o sistema apresenta três opções:
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CONSULTA ESPECIALIZADA
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EXAME ESPECIALIZADO
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CONSULTA PRÉ-CIRÚRGICA E CIRURGIA
A seleção deve estar alinhada ao tipo de demanda que se deseja analisar.
Procedimento
Este campo deve ser preenchido antes da seleção do CBO Solicitado, pois o sistema só disponibiliza os CBOs compatíveis após a escolha do procedimento.
Exemplo prático:
Para verificar encaminhamentos para Fisioterapia:
Procedimento:
0301010048 CONSULTA DE PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR NA ATENÇÃO ESPECIALIZADA (EXCETO MÉDICO)
Após selecionar o procedimento, o sistema habilitará os CBOs correspondentes.
CBO Solicitado
Preencher com o CBO a qual você deseja realizar o acompanhamento
Seguindo o exemplo anterior:
223605 FISIOTERAPEUTA GERAL
Essa combinação garante que o relatório traga especificamente os encaminhamentos realizados para fisioterapia.
Data Início e Data Final
É obrigatório informar o período de análise.
Para extração da fila completa histórica, recomenda-se:
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Data Início: 01/01/2010
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Data Final: {data_atual}
Esse padrão permite visualizar todas as solicitações ainda pendentes dentro do sistema.
Demais filtros
Os demais campos disponíveis na tela podem ser utilizados conforme a necessidade da unidade, como por exemplo:
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Faixa etária
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Nível de prioridade
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Município de residência
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Número da solicitação
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Exibir consolidado
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Entre outros
Esses filtros auxiliam em análises mais específicas, mas não são obrigatórios para a emissão padrão do relatório.
Geração do arquivo
Após o preenchimento dos filtros, recomenda-se utilizar a opção Gerar CSV, localizada no canto inferior da tela.
O arquivo em formato CSV permite:
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Tratamento e organização dos dados.
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Aplicação de filtros adicionais.
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Criação de tabelas e gráficos.
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Análise detalhada no Microsoft Excel ou LibreOffice Calc.
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Produção de relatórios gerenciais para acompanhamento da unidade.
A utilização do CSV facilita a gestão ativa da demanda reprimida, permitindo ao gestor acompanhar o volume de solicitações, identificar padrões e subsidiar decisões estratégicas no âmbito da Atenção Primária.
Exemplo prático de emissão do relatório
Acompanhamento de solicitações de Fisioterapia – Unidade de Referência USF Paineiras
Para exemplificar a utilização do relatório, apresentamos abaixo um modelo de parametrização para acompanhamento das solicitações de Fisioterapia da Unidade de Referência USF Paineiras.
Parametrização utilizada no exemplo
Unidade de Referência:
USF Paineiras
Tipo de Serviço:
Consulta Especializada
Procedimento:
0301010048 CONSULTA DE PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR NA ATENÇÃO ESPECIALIZADA (EXCETO MÉDICO)
CBO Solicitado:
223605 FISIOTERAPEUTA GERAL
Período:
Data Início: 01/01/2010
Data Final: {data_atual}
Após o preenchimento dos campos obrigatórios, selecionar a opção Gerar CSV para extração do arquivo.
O que esse relatório permitirá analisar
Na versão atual do sistema SISWEB v26.01.06, o arquivo gerado em formato CSV pode apresentar alguns campos com nomenclaturas técnicas ou abreviações pouco intuitivas.
Apesar disso, o relatório contém todas as informações essenciais para análise da demanda reprimida, tais como:
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Identificação do usuário
- Justificativa da Solicitação
- CID do Encaminhamento
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Procedimento solicitado
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CBO
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Data da solicitação
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Situação da solicitação
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Tempo de espera
Ou seja, ainda que os títulos das colunas não estejam plenamente padronizados ou descritos de forma amigável, os dados estruturantes necessários para acompanhamento, monitoramento e tomada de decisão estão disponíveis no arquivo.
Por envolver dados pessoais de saúde, o relatório não será disponibilizado como modelo neste material, em observância à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei nº 13.709/2018.
Destaca-se, contudo, que todos os coordenadores com perfil Gerente de Unidade estão aptos a emitir o relatório diretamente no sistema, podendo realizar a análise conforme as necessidades da gestão local.
Recomenda-se que a unidade organize internamente um padrão de leitura e tratamento da planilha, facilitando a interpretação dos campos e a utilização estratégica das informações.



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